Nedu Lopes dá dicas pra quem quer participar do Red Bull Thre3style - 22/02/2016


Por Camila Giamelaro


Semana passada o Red Bull Thre3style anunciou que o início das inscrições para o campeonato começam em março. Dessa vez, a final do mundial vai acontecer no final deste ano e bem pertinho de nós, no Chile. DJs do mundo inteiro vão batalhar pelo grande título em Santiago.

As inscrições devem ser feitas entre 1º e 31 de março pelo site https://thre3style.andalive.com. Para participar da seleção, os candidatos precisam enviar um vídeo de cinco minutos com uma apresentação. Um júri, composto por DJs legendários e antigos campeões do Red Bull Thre3style, irá selecionar seis DJs de cada um dos países participantes para competir em um evento que fará parte de uma turnê mundial. O campeão de cada evento representará seu país na final mundial no Chile.

A tour do Red Bull Thre3style passará por mais de 20 países da Europa, Ásia e Américas entre maio e setembro. A lista completa dos países participantes será anunciada em 1º de março. Mas já podemos contar com o Brasil, que já tem tradição nas competições. Há dois anos nossa representante na final gringa é a fodástica DJ Cinara.

Outra figura que nos representou, e muito, foi o DJ Nedu Lopes. Só pra vocês sentirem um pouquinho do que é o currículo desse cara, Nedu é tri-campeão brasileiro (2010 / 2011 / 2012), vice-campeão mundial em 2010 e 2012 e 3º lugar mundial em 2011 do Red Bull Thre3Style.

Depois de tantas conquistas, além de dar aulas de DJ de Performance na escola DJBan em São Paulo, Nedu é curador da edição brasileira do Red Bull Thre3style e avalia todo o material da galera inscrita no campeonato. Nós batemos um papo com ele pra descobrir o que é preciso ter e fazer pra chegar lá!




HOUSE MAG - Campeonatos como o Red Bull Thre3style reavivaram a cultura da performance no Djing. Quem são os grandes destaques no Brasil e no mundo pra você? 

NEDU LOPES - Realmente o Thre3Style colocou em destaque novamente o DJ de performance e eu vejo o campeonato fazendo pela cultura DJ o que o DMC fez na década de 90, ajudando a moldar a profissão. Bom, para citar dois destaques no Brasil, eu diria os dois que foram os campeões nos anos que passei a ser jurado: Marquinhos Espinosa e Cinara, e um que quase tirou o “cinturão” da Cinara ano passado, o DJ A de Brasília. E nos Mundiais, dos 6 campeões até hoje, meus favoritos são Hedspin, Four Color Zack e o chileno Byte. Claro que existem muitos outros que eu admiro, mas a lista ficaria enorme se fosse citar todos!



HM - Aqui no Brasil, quais lugares realmente bacanas (clubs, festas, eventos independentes) você indica pra quem curte esse tipo de apresentação?

NL - Olha, infelizmente não é muito fácil encontrar festas onde o DJ faça apresentações mais performáticas e de estilo musical livre, o freestyle. Mas existem algumas. Sem querer “puxar a sardinha” para meu lado, mas uma boa festa neste estilo é a Jambox, onde sou residente. Lá eu já dividi a cabine com vários dos meus ídolos dos toca-discos como: Z-Trip, Kentaro, Skratch Bastid, Hedspin e outros.



HM - Qual foi a sensação de estar entre os melhores caras do mundo nas finais mundiais do Red Bull Thre3style?

NL - É emocionante e gratificante! Depois de tantos anos me dedicando à profissão, estar entre os melhores me faz sentir que todo o esforço não foi em vão.



HM - E das apresentações que você fez nas finais, qual fez você realmente se arrepiar com a reação do público?

NL - De todas as vezes que competi, acho que a que teve a melhor vibe foi na minha apresentação de Eliminatória de 2011, em Vancouver. Eu fui sorteado para ser o 1º DJ na 1ª noite das Eliminatórias. E ninguém quer ser o 1º a quebrar o gelo! Mas foi incrível! O club estava lotado e eles dançaram do início ao fim do meu set, o que me garantiu a vitória naquela noite e a vaga pra Final daquele ano.



HM - De todas as edições que você participou, qual você considera a mais importante pra sua carreira?

NL - Eu competi durante 3 anos (2010, 11 e 12), consequentemente eu disputei 3 Finais Brasileiras e 3 Finais Mundiais. Lembro com detalhes de todas elas porque todas foram bem especiais e marcantes. Mas talvez o Mundial de Paris em 2010 tenha sido o mais marcante, pelo fato de ter sido minha primeira competição mundial e de ter sido o primeiro mundial do Thre3Style, então tudo era novo, ninguém sabia o que realmente esperar daquela noite. E ter ficado em 2º lugar lá, perdendo apenas para o dono da casa, o favorito Karve, pra mim teve um gosto de vitória.



HM - Hoje você é um dos curadores do evento. Qual a sua maior dificuldade na hora de aprovar ou não algum artista para a participação do Red Bull Thre3style?

NL - A dificuldade é encontrar DJs que tenham o perfil da competição. O maior desafio para um DJ na inscrição para o Thre3Style é conseguir apresentar um set que tenha equilíbrio entre os critérios: originalidade/criatividade, técnica e seleção musical. As vezes a técnica é muito boa, mas a seleção musical é muito óbvia. Ou a seleção é ótima, mas tecnicamente o DJ não apresenta nada de relevante. O ideal é conseguir se destacar em todos os critérios.



HM - Dentre todos os critérios de avaliação, qual você considera o definitivo pra que um DJ se classifique?

NL - Acho que criatividade/originalidade. E é fácil entender porquê. A maioria dos DJs que tem o perfil da competição, são DJs com boa bagagem musical e domínio da técnica. Então o que acaba fazendo diferença e dando destaque, é a criatividade. É a maneira como ele combina as músicas e constrói o set.



HM - Que tal umas dicas exclusivas by Nedu Lopes pra quem quer mergulhar nesse segmento?

NL - Minha primeira dica sempre para quem está interessado em competir no Thre3Style é: pesquise! Assista aos vídeos e ouça os sets dos DJs que já competiram. E não só dos campeões. As vezes você vai ouvir o set de um DJ que ficou em 3º lugar na Lituânia e ele faz um truque que te inspira a criar outro! Ou ele toca uma música que você nunca ouviu e que vai ficar perfeita no seu set! Então, quanto mais você conseguir absorver desse mundo Thre3Style, mais você pode se inspirar. Mas atenção! Inspirar não é copiar! Fazer exatamente truques que já foram feitos não tem nada de original. Mas ouvir outras ideias é muito válido! Ideias geram ideias!