Ultra Brasil 2017 quer repetir sucesso do ano passado; entrevistamos o sócio-diretor Pedro Nonato - 17/05/2017


Por: Anderson Santiago, com colaboração de Danuza Azevedo


Há dois anos, o anúncio da volta do festival Ultra ao Brasil agitou a comunidade eletrônica. Na ativa desde 1999, o evento de Miami, hoje gigantesco e com presença em diversas cidades do mundo, resolveu apostar novamente em nosso território após uma edição morna em 2011, em São Paulo.

Ano passado o Ultra voltou ao Brasil um tanto diferente e com uma nova cidade para explorar, o Rio de Janeiro. O line-up, como de costume, estava à altura dos maiores eventos eletrônicos brasileiros, misturando DJs nacionais e internacionais underground e de EDM.

Semanas antes do festival, uma confusão com mudanças de local fez o público estremecer e pensar que o evento não seria realizado. Depois de anunciar o Aterro do Flamengo e posteriormente a Quinta da Boa Vista, quase aos 45 minutos do segundo tempo os organizadores fecharam com o Sambódromo. Após o perrengue, veio o alívio: o Ultra lavou a alma dos clubbers que confiaram no festival e fez uma edição de dois dias muito elogiada.

Em 2017, o festival estará de volta ao Sambódromo do Rio para uma edição ainda maior, com um dia a mais de programação. De 12 a 14 de outubro, nomes como Adam Beyer, Alesso, David Guetta e Joseph Capriati vão destilar suas batidas eletrônicas para milhares de cariocas, gringos e público de fora, que comparece em peso atraídos pela marca Ultra. E isso foi apenas a fase I anunciada - ou seja, vem muito mais por aí.


Conversamos com o Diretor Internacional da MMLive, empresa produtora do Ultra Brasil, Pedro Nonato, para descobrir como é fazer um evento desse porte hoje no Brasil e, claro, saber o que ele está preparando para o púbico em 2017. Confira:


 


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HOUSE MAG - O Ultra já foi eleito o melhor festival do mundo. Como é realizar esse evento no Brasil?

PEDRO NONATO - É um desafio constante. As realidades são muito diferentes, mas a marca é a mesma e, portanto, gera as mesmas expectativas por parte do público.




HM - O festival é um evento para milhares de pessoas. Como é a preparação para atender a expectativa do público?

PN: Assim que o festival termina, nós fazemos um levantamento do que aconteceu de bom e de ruim e como podemos fazer para melhorar de forma geral num próxima edição.  Com esse levantamento, vamos para a reunião anual do Ultra no ADE (Amsterdan Dance Event), que ocorre normalmente na semana seguinte após a edição brasileira, a fim de apresentar nossos planos para a edição do novo ano que se aproxima. Ou seja, começamos a preparação com um ano de antecedência.




HM - No ano passado, o Ultra contou com três palcos. Haverá mudanças em 2017?

PN: Continuaremos com três palcos e algumas mudanças serão sentidas, principalmente no estilo, mas não posso comentar ainda.


 


HM - O público está especulando a vinda da Arcadia ao palco Resistance do Brasil. Há chances?

PN: É uma vontade antiga nossa, mas, para 2017, infelizmente não vai rolar. Quem sabe em 2018?


 


HM - A primeira fase do line-up trouxe algumas quebras de paradigmas: foram anunciados três artistas mainstream de peso e seis grandes DJs de techno e progressive house. O que podemos esperar do restante? 

PN: Mais, muito mais. Nas fases dois e três ainda vamos surpreender tanto no mainstream quanto na cena mais underground.


 


HM - Como é escolhido o line up? 

PN: O line up é escolhido por um grupo de quatro curadores, dois no Brasil e dois no exterior, sempre por meio da combinação das tendências locais em diversos estilos com as disponibilidades dos roteiros de diversos artistas que estão dentro do “ano Ultra” em todo o mundo. Os nomes revelados até agora são a ponta de um iceberg que em breve vai dar na costa brasileira. Muitas surpresas boas estão por vir.


 


HM - Nos últimos anos, nossa cena tem discutido muito machismo e inclusão de mulheres no line-up de festivais. Existe alguma preocupação no Ultra em valorizar talentos femininos e montar uma escalação mais democrática em termos de gênero na edição de 2017? 

Pedro: Claro que temos, mas nossa preocupação principal é trazer os melhores talentos, sejam eles homens ou mulheres.




HM - Em 2017, o Ultra ganhou um dia a mais. Por quê?

PN: Já tínhamos a previsão de fazer três dias, apenas antecipamos da terceira edição para a segunda como forma de compensar nosso público por conta dos percalços de mudanças de local na primeira edição.


 


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HM - No ano passado, 60 mil pessoas foram ao festival, um número bem expressivo tratando-se de público. Isso é uma prova do crescimento da música eletrônica no país?

PN: Acredito que esse número prova que a dance music está evoluindo no Brasil. Não falo de underground ou EDM, mas sim como um todo. E não falo de crescimento, falo de evolução que, ao meu ver, não tem a ver apenas com um público crescente, mas também com um aprendizado sobre os estilos, sobre os artistas e ainda sobre os festivais que, como oferta, são bem diferentes de um show normal. 


HM - Quais as principais dificuldades de empreender em festivais no Brasil?

PN: Eu resumiria em três pontos: instabilidade econômica, legislação desatualizada e preconceito com o gênero.


 


HM - A burocracia de obter um alvará se torna mesmo mais complicada quando se trata de um evento de música eletrônica?

PN: Não, é o mesmo trâmite.


 


HM - Qual é/foi o principal desafio em termos de organização que vocês enfrentaram na última edição e qual está sendo o de agora?

PN: As repetidas alterações de local e a mudança para da Quinta da Boa Vista para o Sambódromo, onde tivemos que desmontar tudo que já estava pronto em um local para remontar no outro local com apenas quatro dias úteis. Este ano, por enquanto, está tudo como planejado. 


 


HM - Esses problemas com os locais de realização da última edição não tiraram o brilho do festival em 2016, mas foi uma grande crise. Como vocês estão lidando com esses trâmites de “venue” para a edição de 2017

PN: Estamos trabalhando a quatro mãos com a Prefeitura do Rio, através da RioTur e da RioEventos, para oferecer uma nova experiência no Sambódromo, criando novas áreas como o Ultra Boulevard e o Ultra Village (com bares, caixas, banheiros, ativações de marcas e pontos de encontro), duas novas áreas VIPs e palcos duas e três vezes melhores localizados, entre outras coisas.




HM - O Ultra fez uma edição no Brasil em 2011 e voltou somente em 2016. Por que rolou esse hiato?

PN: Não sei dizer, pois eram outros produtores locais no Brasil à época. Nossa negociação com a marca se iniciou em março de 2014, fechamos o acordo em novembro de 2015 e iniciamos a produção do evento a partir de janeiro de 2016, sendo o primeiro festival sob nossa responsabilidade realizado em outubro de 2016.




HM - Qual que você acha que á a grande diferença/característica/marca do Ultra Brasil frente às edições mundiais?

PN: O DNA de marca do Ultra é o mesmo em todo o mundo: diversidade de estilos representados pelos melhores artistas de cada gênero. Isso tudo embalado em design e tecnologia de palco de primeira, com som e luz impecáveis. Em outras palavras, quem vai ao Ultra, seja aonde for, vai curtir sempre a melhor música, simples e sem firulas, como brinquedos ou historinhas.




HM – Há algum artista que vocês querem trazer de qualquer jeito?

PN:
 Só posso dizer que conseguiremos trazer quase 100% da nossa “wish list” e ainda teremos muitas boas surpresas.


* Para ingressos e mais informações sobre o Ultra Brasil, acesse o site oficial do festival.