Entrevista: referência em sons de pista, Nick Curly chega ao Brasil em ótimo momento na carreira - 19/05/2017

Por: Alan Medeiros


Já se passaram quase 10 anos desde que Nick Curly despontou para o mundo da música eletrônica como um dos mais promissores talentos globais. De lá pra cá, seu som se transformou em certeza de pista em movimento, corpos suados e mentes conectadas com sua proposta musical.

Tal sucesso resultou em uma agenda de tours intensa e expressiva, com apresentações em festivais do calibre de Sonus, The BPM, Timewarp e Sonar. Isso certamente teria tomado um caminho mais árduo se não fosse a grande tacada de Nick a frente da 8bit, selo referência em sons de pista no cenário global, dirigido ao lado de seu companheiro Gorge. Antes dele, Curly obteve reconhecimento pelo seu trabalho frente ao Cecille Records, que hoje reside apenas nas memórias e catálogo lançado. 

 


 

 

Seu relacionamento com marcas gigantes da cultura dance music, como Cocoon, Space Ibiza e Defected também empurrou os limites e fronteiras da música deste produtor alemão para mais além. Um next level foi a criação da série de festas Trust, organizadas e idealizadas por Nick - certamente você ainda ouvirá falar muito desse conceito.

 


 

 

O mês de maio marca o retorno de Nick aos palcos brasileiros. O DJ e produtor se apresenta em Curitiba, na festa organizada em parceria por Club Vibe e Radiola, e se apresentaria em Itu na edição Metamorfose da Electrance que foi cancelada. Há uma chance dele tocar no D-Edge sábado...

Confira o resultado do nosso bate-papo:  

 




HOUSE MAG - Olá, Nick! É um grande prazer ter você conosco. Podemos começar falando sobre a 8bit. Como tem sido pra você comandar esse projeto? De que forma ter uma gravadora mudou sua forma de enxergar a pista?

NICK CURLY -
 Olá, o prazer é meu! Comandar um label não mudou a forma que enxergo a pista. Se algo mudou, foi o contrário. Estou em clubs toda semana, 3 ou 4 vezes. Tocando, ouvindo, conversando. Estas experiências moldam a forma que olho a pista e a direção que eu quero para a 8Bit, e claro, a minha própria música, seja um release da 8Bit ou de outro label.


 


 

 

 

HM - Inegavelmente suas músicas possuem um apelo muito forte para pista. Na sua visão, fazer o público dançar é a principal tarefa de um bom DJ? 

NC -
 É a única tarefa! As pessoas vão para casas noturnas para dançar e fazer memórias, se elas não estiverem dançando se perguntarão o porquê de estarem lá.





HM - O que te agrada mais nessa profissão? De uma forma geral, você se sente mais completo nos momentos de estúdio ou discotecando?

NC -
 Para mim, ambos ficam lado a lado. Eu fui primeiro um DJ, mas a sensação de tocar uma das suas primeiras produções para um club cheio e ver como as pessoas reagem: queria que existisse uma forma de descrever esse sentimento.





HM - Truesoul, Drumcode e Knee Deep in Sound são apenas alguns dos selos que você também lança. Na sua opinião, qual a importância de ter um relacionamento com marcas profissionais para o avanço da sua carreira?

NC -
 Para mim, o elemento mais importante é como o label funciona e a organização por trás dele. Há muitos labels lá fora, ninguém vai reinventar a roda. É importante fazer o básico direito... RP, distribuição, produção. Sempre procuro labels que pregam cada um desses elementos. Acontece que estes tendem a ser os grandes labels como Truesol, Drumcode e Knee Deep in Sound, porque para chegar no topo você precisa dessa organização e profissionalismo como uma fundação.

 

 


 

 

 

HM - Grandes festivais e clubs famosos ao redor do mundo estão presentes em sua agenda. Em qual desses formatos de pista você se sente mais confortável para desempenhar o seu som?

NC -
 Essa não é uma pergunta fácil de responder. Eu diria que na maioria das vezes é nas gigs em clubs que mais aproveito, porque é mais intimista com uma maior conexão com a pista. No entanto, do outro lado quando você toca na Time Warp e BPM, onde fui sortudo o suficiente para levar minha festa Trust nos dois últimos anos, é o completo oposto do espectro. O tamanho dos lugares e a produção é outra coisa, mas o público gosta de festa e quando você tem 2000/3000 pessoas todas dançando do começo ao fim, você realmente não pode vencer isso.





HM - Como um DJ conhecido internacionalmente, certamente você precisa encarar uma agenda de compromissos longe de sua casa. Como você busca manter a saúde mental e física enquanto fica fora de sua cidade?

NC -
 Quando estou em casa, vou de 2 a 3 vezes por semana para a academia. Em turnê, tento fazer pelo menos um pequeno treino todos os dias, apenas algo para me manter ativo, um mergulho rápido ou uma corrida. Felizmente, muitos hotéis tem piscina agora e realmente desfruto de um rápido mergulho. Em Ibiza, eu e meu manager David jogamos tenis bastante e fica um pouco competitivo, estou ganhando no placar do momento, mas ele vai lhe dizer o contrário.





HM - Em meio a um catálogo tão extenso, há algum trabalho que você considera mais importante ou especial em sua carreira ou todos possuem o mesmo valor? 

NC -
 Com certeza há alguns, como Pujante EP pela Cocoon Recordings, meu remix para Sci + Tec, label do Dubfire ou meu release “Helter Skelter” pela Truesoul, o qual estou realmente orgulhoso. Muitas pessoas ainda perguntam do remix de “Slob” também... Em geral, estou satisfeito com a maioria dos EPs e faixas que eu lancei. Pode haver alguns da minha carreira mais cedo que não estou interessado agora, mas todos fazem parte da minha história e desempenharam algum papel para me trazer para onde estou agora. 

 


 


 

 

 

 


HM - Fale um pouco sobre os seus planos para Trust. O que levou você a criar sua própria label party? O que ela propõe de diferente das demais?

NC - Trust ainda está em seus primórdios, mas já reuniu um momento sério e 2017 está parecendo forte. Estive com Air London desde o começo e a equipe que temos trabalhando na Trust tem alguns planos muito interessantes para o futuro e que não vejo a hora de anunciar.

Este ano já tivemos Watergate, BPM e um novo local em Varsóvia chamado Smolna 38. Estamos na espera do Reino Unido com nossa tour mundial chegando a New Castle no The Boiler Shop com Nastia, assim como fabric e dois shows em Leeds. Se isso não bastasse, voltaremos para Barcelona, no ZT hotel, lugar que sempre termina com uma história engraçada, uma ressaca ou um voo perdido. 

Estamos finalizando nossas datas sul-americanas e teremos novidades em breve.

 

 


 

 

HM  - A cena brasileira tem crescido bastante nos últimos anos e cada vez mais o público está disposto a conhecer artistas de qualidade. O que você conhece a respeito do Brasil? Há algum DJ ou produtor brasileiro que você tem acompanhado?

NC -
 Conheço Boghosian e Dubshape, ambos já lançaram no meu label, DJs realmente talentosos com muito potencial, então eu estava movimentando para conseguir assinar com eles. Toquei no Brasil com bastante regularidade no passado, tenho um bom entendimento da cena e estou muito ansioso para voltar.

 


 


 

 

 


HM - Para encerrar, uma pergunta diferente. Na sua visão, qual o verdadeiro propósito da música na vida das pessoas? Obrigado pelas palavras!

NC -
 A música é uma das poucas coisas no mundo que pode aproveitar todos os aspectos positivos a nossa volta, mesmo que não pare o mal que infelizmente existe. Ela tem o poder único e emocionante de transformar pessoas e invocar emoções desconhecidas e poderosas que podem proporcionar felicidade e calma.

A música é uma das coisas mais importantes que os humanos criaram. O que seria viver sem música? Obrigada por esta entrevista. Espero ver a maioria de vocês durante minhas apresentações no Brasil.