Minimal em Evidência - 11/08/2017

Por Wesley Razzy
Fotos Juliano Conci


O minimal cresceu exponencialmente nesse último ano no país, isso graças a uma demanda por algo diferente do habitual e uma união de DJs nacionais que resolveram se juntar em diversos núcleos para criar uma cena com a música em que acreditam. Depois de anos com um cenário inalterado, a procura por novidades aumentou e através disso esse estilo começou a conquistar um espaço importante.


No começo de 2016 tive a oportunidade de trazer Petre Inspirescu ao club Terraza. Lembro de ter sido um booking arriscado para a casa, que não tinha certeza se a resposta seria tão boa. Felizmente foi, e a entrega também se deu de forma excelente, o que iniciou uma grande visibilidade em torno do segmento. Poucos meses antes disso, a festa Subdivisions surgia em São Paulo, com a promessa de ter o minimal como o som primordial em suas noites. Na primeira edição contou com Ion Ludwig e desde então tem conquistado um público cada vez maior com uma proposta original, trazendo muitos artistas até então inéditos no país.


Se 2016 começou bem, tornou-se ainda melhor durante os meses seguintes. ZIP, chefe do emblemático selo Perlon, tocou no D-Edge e causou ótima impressão. Já o Terraza apostou ainda mais na vertente trazendo artistas como Sammy Dee e Sonja Moonear durante o Carnaval. Além disso, festas que levam a vertente como essência emergiram em todo país, como a Crema (Pelotas), Patterns (Curitiba), 4finest Ears (Rio de Janeiro), Minim (Florianópolis), entre outras.


No segundo semestre de 2016 ficou evidente que essa sonoridade vinha para ficar e tivemos a oportunidade de ver várias turnês, como a do francês Lowris, que tocou em quatro cidades do Sul ao Sudeste, e outros expoentes como Voigtmann, Lamache, Priku, Herodot e Vera também passaram pelo país. Essa frequência de DJs que tocam um som fora do modismo que domina o mercado não acontecia há algum tempo e, acima de tudo, esses eventos tiveram resultados positivos, premiando produtores mais ousados com festas cheias e público animado.


crema335_opo_2_500


Em 2017 o estilo se consolidou de vez. A agência WRX trouxe ao Brasil Dewalta e Janina em janeiro; em fevereiro, o chefe do Arpiar, Rhadoo — com quem tive o prazer de tocar —, para dois long sets históricos em sua passagem pelo Brasil (um em Florianópolis, com nove horas de apresentação, e outro de seis horas em São Paulo); e em maio, trouxe o Cabanne, da Minibar, para uma turnê de quatro datas. O Warung Beach Club também convidou Petre Inspirescu para tocar no Garden em janeiro, na festa organizada junto com o Resident Advisor, e o resultado foi uma pista extremamente satisfeita.


Em paralelo a isso, produtores musicais brasileiros como Dee Bufato, Manara e Gui Ferreira vêm lançando ótimas faixas; e claro, o selo Sketches, criado pelo duo Stekke, que tem conquistado espaço e apoio de grandes nomes.
Porém, importante ressaltar que o minimal não é o único estilo tocado e produzido. O que prevalece entre todos os artistas do gênero, tanto nacionais como internacionais, é uma grande paixão pelo formato em vinil e um cuidado para criar uma história consistente nos sets. A ascendência dessa vertente não se limita apenas em um novo som nas pistas, mas por uma mentalidade mais purista que coloca a música acima da própria imagem
e isso está sendo muito bem-vindo.


Com todo esse cenário, fica claro que o minimal deixou de ser um estilo secundário para se tornar protagonista de várias festas, clubs e festivais do país. Os eventos já citados continuam com força total e outros vêm surgindo,
como a 0db, em Foz do Iguaçu, que trouxe Barac em junho, e a Just Follow, que recebeu Cabanne no Rio de Janeiro. Além dessas excelentes atrações de vários cantos do mundo, o festival Tribaltech deste ano irá contar com
uma pista destinada à vertente. Ou seja, nomes notáveis continuarão vindo com maior frequência, colocando o Brasil de fato na rota dos principais artistas do segmento.