Uma história de amor à música: Subdivisions comemora dois anos em SP com Margaret Dygas - 06/10/2017


*Antes de iniciar a leitura desta bela reportagem, nós da equipe House Mag convidamos todos para a Subdivisions 2 anos nesta sexta-feira, 6 de outubro, em São Paulo, com Margaret Dygas (Perlon), Junki Inoue, Tati Pimont, Dee Bufato e Oliver Gatermayr. Mais infos aqui. 


Por: Heloisa Vidal





Vontade de beijar os olhos de minha pátria


De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...


Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias


De minha pátria, de minha pátria sem sapatos


E sem meias, pátria minha"







Não poderia começar esta matéria sem uma demonstração de afeto tão equivalente quanto o amor transcrito por Vinicius de Moraes pelo Brasil.

Amor que não só ultrapassou limítrofes territoriais como quebrou toda forma opressiva de "não expressão" imposta ao artista na época. Amor que uniu-se a arte, contagiou e comprova: não há força mais temida do que esta.

Nossa pátria é calorosa, desigual e rica. Mãe e berço de uma cultura comparavelmente nova, resistente e que em alguns pontos, ainda encontra-se num "delay" perante a hierarquia de valores que compõe vários ethos.

Então que; diante de um cenário defasado e com nichos ainda pouco explorados, torna-se natural o surgimento de pessoas apaixonadas por uma ideologia não convencional e, que em casos mais particulares ainda, sintam-se necessitadas em trabalhar por mudanças visionárias, analogamente ao poeta brasileiro, Vinicius. 


 


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Fonte 


 


Compondo parte desta particularidade, nasceu em 2015, no âmbito musical, a festa SUBDIVISIONS –  que através das sensações experienciadas por Bruna Brambilla, Guillaume Legrand e Oliver Gattermayr sob a atmosfera romena, moldaram uma proposta, até o momento, vagamente difundida no Brasil. 


 


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(Guillaume Legrand, Bruna Brambilla e Oliver Gattermayr - Fonte) 


 


Guiado pela intenção de somar às transformações multiculturais da frenética São Paulo, o projeto que chegou adjacente ao crescimento da visibilidade das vertentes minimalistas, também pode ser considerado como um dos principais motores desta expansão; além de ter conquistado novos olhares para a música eletrônica como um todo.

Com traços de um cuidado visível diante de todos os detalhes desde a primeira edição, é possível afirmar que a SUBDIVISIONS se concentra em tornar cada momento o mais especial possível tanto para o receptor, na pista, quanto para o artista, que possui vasto espaço de tempo e estrutura para transmitir sua mensagem.


 


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(Quarta edição com Herodot; presença do sistema de som Funktion One – 
encarregado de transpassar a melhor qualidade possível do artista para a pista - fonte)






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(Funilaria - fonte)


 


Explorando o lado mais vigoroso da arquitetura paulistana, a festa acabou se tornando uma das principais protagonistas em dar vida, trimestralmente, para estruturas desativadas na cidade. Portanto, dizer que há uma curadoria consistente por trás da SBDVS ainda seria raso;

Há uma curadoria sentida! Por sentir o momento certo de dar cada passo – como quando juntou aos residentes Dee Bufato e Oliver Gattermayr, a paulistana Tati Pimont:





  "O convite para residir na SUB aconteceu no ano passado e foi um dos passos mais especiais da minha carreira! Fica difícil descrever a sensação de fazer parte da festa que mais me identifico. Além de ter sido meu primeiro convite pra residência de uma festa. Especial demais mesmo!" Tati Pimont. 



 






Por sentir as potencialidades do ambiente sobre a conexão entre o público e a música; 


 


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(Ambientes pensados em exaltar a parte mais crucial da festa, a música, 
aflorando a sensação de diversão, liberdade e pertencimento, sem distinção de espaço como nas festas em que o camarote segrega uma fatia da outra - fonte)


 


E também por sensibilizar um movimento, viabilizando o enlace entre artistas brasileiros e estrangeiros, colocando o país em evidência. Tendo como exemplo, o trabalho autoral do residente Dee Bufato, “Ambedo”. Lançado em vinil no mês de setembro com remix de Fumiya Tanaka (PERLON) pela Sketches Records.


 



 


Sabendo que estamos em vésperas de aniversário e que subirão duas velinhas nessa história, preparei uma retrospectiva que mais servirá de "warm up" para os long sets da próxima edição.


 


#01 | 06.11.2015:


De line up construído por Manara, Raphael Carrau, Oliver Gattermayr e o holandês Ion Ludwig, a primeira edição foi a colisão entre a materialização de uma proposta coerente e a sensação de um sonho sendo realizado para os artistas que se identificavam/identificam com o nicho. 


 


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(Ion Ludwig)


 


 


#02 | 29.01.2016:


Contando uma narrativa jamais esquecida por cada um presente, foi a primeira festa no edifício que acabou se tornando um dos palcos mais especiais da festa, Funilaria. Contou com a composição dos DJs Battu, Manara e Oliver Gattermayr, mais a destruição de três toca discos pelo alemão XDB. 


 


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(Oliver Gattermayr e XDB)


 


 


#03 | 01.04.2016:


Adiantando já que os franceses possuem uma empatia singular por nosso país, a festa alinhou aos artistas nacionais Dee Bufato, Oliver Gattermayr e Wesley Razzy, o francês Lamache – que se conectou com o todo, aliando sua técnica à sua percepção aguçada.


 


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(Lamache)


 


 


#04 | 24.06.2016:


De referências romenas natas, a SUB não poderia deixar passar o romeno Herodot.

O dia estava lindo e o clima propício para uma atmosfera positiva. Os paulistanos Dee e Tati conduziram a energia para as mãos de Herodot, que trouxe a Romênia no repertório e entregou a pista quente para um set lindo do residente Oliver. 


 


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(Oliver e Herodot) 


 


 


#05 | 23.09.2016:


Colocando a matéria em primeira pessoa nesta pauta, digo:

"SIM! A empatia dos franceses é mesmo singular! A quinta edição da festa e minha primeira, convidou Lowris, que fez um tour pelo Brasil e até passou por Curitiba antes da SBDVS em São Paulo. Lugares que tive o privilégio de experienciar a arte deste artista de pesquisa finíssima e personalidade carismática! 




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(Lowris)


 


Ele foi a cereja do bolo mais bem posicionada em meio aos sets do Andreazza, Oliver e Tati. Realmente tudo muito bem pensado! Com um apelo sentimental ao set da Tati, que entrou logo em seguida do francês, dando sequência ao flow, esbanjando sincronia –  com a pista, o momento e a música!




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(Tati Pimont


Uma palavra? Memorável!"






#06 | 25.11.2017:


Também era aniversário e, mais uma vez, as raízes romenas tomaram posse das terras de São Paulo. O techno romeno de Mihigh, juntamente à caliência dos brasileiros Dee, Manara e Oliver, apagaram a vela de um ano da festa com as batidas de muito groove – incendiando a pista contrapartida.


 


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(Mihigh)


 


 


#07 | 03.03.2017:


O convidado para conformar o time desta edição ao lado de Alysson Matos, Oliver Gattermayr e Tati Pimont foi o uruguaio Z@P. Artista de uma cena que também é reconhecida por se destacar do restante da América Latina, representou na SBDVS fazendo jus a sua origem. 


 


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(Z@P)


 


 


#08 | 26.05.2017:


Dia de debut para uns e festa "em casa" para outros – apesar de possuir um line divido entre dois artistas que nunca haviam se apresentado na SUB (Rafael Onid e Jan Krueger) e dois residentes do projeto (Dee Bufato e Oliver Gattermayr), a festa deixou explícita sua atenção em conciliar todos os pontos fundamentais e transmitir um espaço extrovertido para ambos os lados da moeda (artista/público). 


 


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(Jan Krueger


 




"Lembro-me da tsunami que parecia estar se formando na pista quando o Oliver começou a tocar. Foram sonoridades fortes e intimistas, além de ter ganhado lugar entre as introduções mais emblemáticas que já presenciei numa festa."




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(Oliver Gattermayr)


 


#09 | SAVE THE DATE: 06 de Outubro de 2017




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(Foto da oitava edição com Jan Krueger)


 


Eis então que chegamos em uma das datas mais especiais, mesmo que esta não tenha acontecido ainda (marque presença no evento no Face)


 


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(Art Work: Diego Bufato)




Será o segundo aniversário do projeto; um momento preparado para ser tão inesquecível para o espectador quanto para a festa em si; uma mistura de realizações, muito amor, dedicação, trabalho, conexões e energia num só drink de codinome, música.

O line up comemorativo se tornará pequeno ao juntar toda efervescência que adjetiva os residentes Dee Bufato, Oliver Gattermayr e Tati Pimont às excentricidades natas da Polônia e do Japão.

Polida, experiente e inrotulável – são algumas das palavras capazes de denotar as qualidades da produtora polonesa que também possui uma das leituras de pista mais intrínsecas e admiráveis do mundo, Margaret Dygas (PERLON).


 



 


Já o japonês Junki Inoue, pode ser considerado uma das peças mais singulares da cena eletrônica por possuir visão própria e ímpar sobre a música. Inoue faz parte dos colecionadores natos de discos e sua potencialidade está em atravessar com elegância, sons de diferentes tempos e lugares.


 


https://www.youtube.com/watch?v=Ms59UScQ1Cg


 


Tati Pimont sobre "SAVE THE DATE":





 "É impossível descrever a sensação de estar tocando nesse dia, na festa que mais mudou minha vida em vários aspectos e abrindo a pista para a Margaret, que é minha maior inspiração e influência.

Idealizo que esta será uma das melhores edições com o line-up dos meus sonhos! Além do enorme prazer em demonstrar meu trabalho diante da confiança que estão depositando em mim por conta do horário.

Enfim, eu espero (MUITO) que a pista goste!

Vou dar o meu melhor!

Que seja uma noite mágica e inesquecível!”



 


E pra fechar, faço de algumas palavras da Tati, as minhas – “É impossível descrever” ou até mesmo discorrer sobre uma narrativa que só conseguirá ser contada, de fato, através das composições sonoras que se guardam para o momento certo. 


 


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