Eventos aclamados e um público fiel movem a Tantsa em São Paulo - 29/11/2017

Por: Karen Formagio e Alexandre Formagio
Edição: Alexandre Albini
Foto: Image Dealers


Quatro da manhã, o DJ principal tocando e a pista lotada. Olho em volta é só vejo sorrisos, gente trocando olhares, afirmando o quão incrível está sendo aquele momento e o quão intensa é a experiência. "Ainda bem que estou aqui”, dizia eu. Esta foi a sensação que tive quando fui pela primeira vez na Tantša, já na segunda edição do evento e que trazia Etapp Kyle. E desde então, tal sentimento se repete, cada vez melhor e com mais energia.


Estas festas urbanas e itinerantes já existem há um certo tempo aqui em São Paulo, mas caíram no gosto popular recentemente. A edição de um ano aconteceu em setembro com duas pistas e propostas de som diferentes entre si: Perc, XHEI, Silenzo e eaMokha na principal e rHr, Sphynx (aka Zopelar e Márcio Vermelho), Akin/Non Existe e Acaptcha na outra. Nomes como dubspeeka, Answer Code Request, Cleric, Acronym, Pfirter e Lewis Fautzi também já se apresentaram em edições anteriores. E é esse tipo de curadoria que se pode esperar dos organizadores. Se você curte um techno industrial, dark, hipnótico ou até mais introspectivo, aqui é o seu lugar!


Quando a gente amadurece, priorizamos outras coisas na noite, como conceito, pessoas e música. Sempre que frequentava os festivais na Argentina e Europa pensava quanto tempo iria demorar para termos uma pista assim no Brasil. Com aquele set que conta uma história, que te envolve do começo ao fim, que faz você sentir a pista toda conectada. Aí conheci a Tantša, que não à toa, virou a minha festa preferida, pois conseguiram reunir alguns fatores chave (para mim), que fazem me sentir no quintal de casa:


Gentileza: perdi as contas de quantas vezes dei ou me deram água, perguntei ou me perguntaram se estava bem e curtindo, numa empatia mútua;
Conexão: apaixonados por música sabem o poder que ela tem para unir pessoas, mesmo sem trocar uma palavra. Senti isso em todas as edições;
Respeito: mulheres sem camiseta, sem sutiã, de shorts curtos ou de maiô. Podemos vestir o que quisermos e ninguém irá nem ousar tocar em você;
Diversidade: quer entender o que é isso? Cola lá e veja a pista cheia de estilos, cores, atitudes… tudo diferente e convivendo muito bem, sem julgamentos;
Simplicidade: apesar de contar com boa estrutura e efeitos visuais, o foco aqui é o soundsystem e a música, que estão sempre impecáveis.


Consegue imaginar a atmosfera que os artistas criam em um ambiente assim? Não dá para explicar, porque em cada edição tenho a impressão de que “foi a melhor noite da minha vida”. É um ritual: chego, fecho os olhos, transcendo e volto de alma lavada. Difícil não se apaixonar. E isso, na minha opinião, é o verdadeiro conceito de ‘underground’: menos a ver com lugares abandonados – apesar de ser onde rolam as festas – e mais a ver com pessoas, comunidade, contato.


Nesta última edição, do dia 14/11, o Etapp (que nos concedeu uma entrevista pouco antes do evento) foi também responsável pela curadoria. Ele escolheu o Vermelho para abrir a pista e o Sterac para fazer seu warm up – que de “preparação” não teve nada! Após quatro horas de Sterac, a sensação era que se a noite fosse apenas dele, já teria valido a pena. Mas aí chega o Etapp, que tocou por 8h e meia, com quatro canais abertos, em uma condução impecável, de arrepiar e de deixar o queixo caído. Mesmo cansados, queríamos mais.


O Etapp encerrava, a gente aplaudia, pedia mais um pouco, ele soltava outra faixa. Isso se repetiu por três vezes e nós tínhamos a esperança que ele mudasse de ideia e continuasse lá por outras 2, 3, 4 horas (por que não?). Passeou pelo breakbeat, downtempo, prog, industrial, dark, melódico… realmente se sentiu à vontade para experimentar e a pista amou. Ver o sorriso dele de satisfação também foi impagável. Que aula!


E para minha satisfação e de muitos, o próximo encontro será em 15 de dezembro, com o francês Zadig, além de DJ Murphy, rHr, Bruckner e eaMokha (+ infos aqui). O que nos resta é agradecer ao staff por essa atmosfera proporcionada, por vários momentos inesquecíveis e por trazer para o Brasil DJs que nunca pensamos que poderíamos prestigiar um dia aqui. Vida longa à Tantša!