Projeção destacada - 10/01/2018

Por  Nazen Carneiro


Não são apenas os grandes festivais e festas que têm entre suas atrações os VJs. A arte de criar ambientes através das projeções se conectou com a música há mais de uma década e hoje está presente não somente na cultura eletrônica, mas em diversos tipos de entretenimento. Para conhecer melhor esta realidade, conversamos com um dos mais experientes profissionais da área no Brasil, o VJ Daniel Paz.


Sabemos que a cultura eletrônica não é feita apenas de música, mas de um universo inteiro de elementos. Por isso, é inegavelmente forte a influência da luz e das imagens neste contexto. Como surgiu o teu interesse pela área?
Sempre tive interesse em artes visuais e computação gráfica (cursei faculdade de Arquitetura), tendo feito meu segundo bacharelado em Design Gráfico quando já era VJ. Iniciei profissionalmente em 2005, no Green Valley, Matahari e El Fortin desde as primeiras festas destes três clubs.

De fato, seu envolvimento com a cena eletrônica de Santa Catarina é bem forte. De que forma se deu esse início?
Comecei frequentando eventos, raves de psy trance (progressivo), e foi em um fórum de DJs que encontrei sem querer uma postagem sobre um programa de projeção de visuais. Liguei para meu amigo e vizinho Sergio Cabral Jr. (atualmente sócio proprietário do El Fortin e Hakko), que ia fazer sua primeira festa na época, e disse a ele que poderia projetar. Nesse período também fui residente de outros clubs inesquecíveis como Bali Hai, Carambas e Dreams Beach. Dificilmente alguém que frequente eventos de música eletrônica no litoral de Santa Catarina não tenha visto o meu trabalho. Daí a importância da cena local.


Foi nesse período que você conquistou uma rápida ascensão?
Sim. Passei a ter várias gigs, me apresentando em muitas festas de psy trance já nos primeiros meses, inclusive a histórica Opion, em Canelinha (SC), com Infected Mushroom. Menos de um ano depois estava projetando na edição catarinense da XXXPerience e logo depois na Chemical Music (PR).

E após os eventos de trance, como se deu a transição para os clubs?
Em 2008 os eventos começaram a migrar de open air para os clubs, mudando também o estilo de som, então fiz esta transição também. Continuei trabalhando em festivais, principalmente em Curitiba a convite do Jejê da TribalTech e Erick Dias da XXXPerience. Foi quando a Green Valley ganhou notoriedade e eu segui junto. Além de toda a visibilidade proporcionada, sempre fui estimulado com novos palcos e layouts de leds fantásticos pela GV.


Com as projeções ganhando um espaço gigante nos grandes espetáculos e diversos tipos de possibilidades, o seu trabalho tem ido além da cultura eletrônica, certo?
Exatamente. Meu espectro também engloba eventos sociais, corporativos e gravação de DVDs ao vivo colaborando com meu amigo VJ Fabinho, de Goiânia. Trabalho em outros Estados, chamado pela minha experiência em música eletrônica e principalmente para produzir mapping em leds, que é minha especialidade.

Hoje qual a parafernália tecnológica que você usa para suas criações nas projeções ao vivo?
Ao longo do tempo os setups ficaram mais compactos. Nas minhas primeiras apresentações eu levava uma CPU e um monitor de tubo. Atualmente uso um macbook retina (levo outro de backup sempre) e uma controladora Akai APC MKII.


Você mantém uma colaboração interessante junto ao DJ Groundbass. Como funciona?
Basicamente é um projeto com um artista de psychedelic trance em que todas as músicas possuem visuais sincronizados. Antes das gigs conversamos sobre como será a apresentação. Nisso ele monta o set, repleto com várias referências de filmes e séries que gosta, e me manda. Aí faço um vídeo clipe para cada faixa e disparamos durante o show. É muito bacana ver a reação do público ao perceber que o que está na música acontece também no telão. É totalmente audiovisual mesmo.


Através do sucesso dessa parceria, a meta para o futuro é seguir uma linha de trabalho parecida?
Sim. Com a ascensão dos artistas nacionais, muitos deles estão contratando seus próprios VJs. É um novo mercado que se abre para os que querem dedicar toda a sua expertise durante um único set.