A Folha de São Paulo publicou antes de ontem uma matéria online em que o destaque são os produtores de festa independentes da noite de São Paulo. Redigida por Flávia Faria, a reportagem mostra como esse negócio de fazer noite normalmente começa bem despretensiosamente, mas quando vinga acaba se tornando um business altamente profissional, em que gira bastante dinheiro.
Faria entrevistou nomes conhecidos do cenário eletrônico alternativo da capital paulista, sobretudo as figuras responsáveis por alguns dos principais coletivos de festas na rua, que tiraram a dance music dos clubs e as democratizaram a partir de uma visão política — em edições recentes da House Mag impressa e também aqui no site, falamos bastante desses núcleos.
Na matéria em questão, Denny Azevedo e Ricardo Dom, da Venga Venga, Akin Deckard, da Metanol FM, e Laura Diaz, da Mamba Negra, falam sobre como se viram comercialmente, entre oportunidades e riscos, e discorrem sobre os seus diferenciais para construírem um negócio sólido. Dekard destaca como se deu a profissionalização da Metanol, que reserva 20% da receita dos eventos pagos para viabilizar as festas gratuitas na rua.
De acordo com a reportagem, essas festas itinerantes costumam atrair de 500 a 800 pessoas por edição, e vendem ingressos entre R$ 25,00 e R$ 50,00. Com custos de produção que podem variar de R$ 20 mil a R$ 30 mil, o lucro gira entre R$ 6 mil a R$ 8 mil. Por isso, o empresário Facundo Guerra, dono de clubs como Yacht, Lions e Cine Joia, destaca que pode ser interessante para esses produtores de festa fazer parcerias com casas noturnas já estabelecidas. Assim, o custo de produção é consideravelmente menor — de R$ 5 mil a R$ 10 mil — e, segundo Guerra, uma festa bem-sucedida com cerca de 500 pessoas rende em torno de R$ 40 mil, bruto. Neste caso, a boate fica com 30% a 50% do valor da bilheteria, mais toda a renda arrecadada com o bar. “Pode ser menos rentável para o produtor, mas a parceria [com a casa noturna] também divide o risco do prejuízo”, diz ao jornal.
Contudo, nem sempre o lucro é o principal fator considerado nessa tomada de decisão. “Os espaços da noite paulistana têm uma série de restrições que não são interessantes para o ambiente de liberdade e experimentação que queremos”, argumenta Diaz, da Mamba Negra — núcleo que ganhou fama por realizar edições em locais periféricos, fora da rota da noite paulistana, como prédios abandonados no Centro e até mesmo a Cracolândia. No caso da Mamba, portanto, o diferencial é o posicionamento político, que mantém a tradição, por exemplo, das squat parties europeias — festas clandestinas, normalmente com viés anarquista, que ocupam ilegalmente prédios abandonados, e que foram, sobretudo, fundamentais ao movimento rave no Reino Unido, bem como à Berlim recém-unificada, no começo dos anos 90.
Você pode conferir a matéria na íntegra aqui.
