Por: Lucas Arnaud
Estilo que ganhou popularidade principalmente na década de 70, o “Disco” é um gênero musical que mora (ou pelo menos deveria morar) nos corações dos fãs do house-music. Explico: o house, um baluarte da música eletrônica como um todo (que primeiramente se popularizaria um pouco mais tarde em Chicago), recebeu muita influência de diversos estilos, como o electropop, o synthpop, o boogie e o disco – para citar alguns.
É também interessante notar que o disco não influiu apenas na gênese do house, tendo participado da origem de estilos como hip-hop, garage e do freestyle. É divertidíssimo aprender e debater sobre essa verdadeira “filogenética” dos estilos – e averiguar algo interessante: essas relações continuam se renovando, e estilos que dialogavam antigamente podem estabelecer novas relações de formas nunca antes exploradas, adequando-se principalmente aos presentes contextos na cena da música eletrônica.
Um exemplo claro disso seria quando o Soul Clap começou a misturar o disco com o deep house, por volta do ano de 2009, momento no qual o deep estava uma de suas fases crescentes.
E aonde queremos chegar com todo esse papo?
Primeiramente, vamos dar uma olhada em uma das músicas que contribuiu com o alcance do disco ao mercado mainstream na década de 70 (e prova disso é que você, muito provavelmente, já a conhece!):
Agora compare com os elementos desta track, que há (relativamente) pouco tempo, foi uma das mais tocadas no mundo inteiro:
Não, não é coincidência – a track de Daft Punk e Nile Rodgers se encaixa muito bem na definição sonora do gênero “disco”, sendo inclusive Nile um dos guitarristas que muito contribuiram para o estilo, tendo na cena o apelido de “The Hitmaker”. Daft Punk, também não por coincidência, foi expoente do movimento do house-music francês, tendo optado, dessa vez, por explorar um dos estilos que o originou. A “Get Lucky” foi um marco no sentido de ter trazido novamente o disco-music (quase que puro) para o grupo das mais tocadas no planeta, para o mainsream das rádios e TOPs da vida. O último álbum do duo, “Random Access Memories” traz outras faixas com grande influência desse estilo.
Um tanto mais recentemente, outra dupla francesa resolveu lançar (depois de anos) um álbum – e falo aqui do projeto JUSTICE.
Agora vamos brincar de advinhação! Qual o estilo que fez sucesso principalmente nos anos 80, influenciou o surgimento do house music, tem nome com 5 letras, começa com D e está presente como grande influência no álbum de 2016 “WOMAN”, do Justice? O estilo disco (rs)! E não para por aí: cada vez mais produtores do eletronic dance music tem adotado elementos desse clássico estilo – não precisamos ir longe: com vocês, Oliver Heldens!
A track acima, de novembro de 2016, foi mais um exemplo da pegada disco no contexto atual da música eletrônica. Heldens já havia afirmado em entrevistas antigas que uma de suas influências seria o disco. Vale notar que, já em 2017, Heldens nos aparece com um novo release, também com essa pegada. Confira o clipe publicado há apenas uma semana:
Quer ir mais longe? Dá uma olhada nesse release da Protocol Recordings (label do Nicky Romero) publicado há apenas 5 dias:
A track, apesar de manter seu núcleo no progressive house, se utiliza de elementos típicos do disco (tanto no drop quanto no break).
Chegamos onde queríamos: será que estamos vendo uma presença cada vez maior de elementos clássicos do disco no MAINSTREAM? Será que é uma verdadeira tendência, ou apenas um fenômeno momentâneo? A resposta certa para essa questão, apenas o tempo nos dirá! Mas fato é que a EDM está se reinventando e utilizar novos elementos nesse sentido pode fazer com que nossa música fique realmente cada vez mais rica.
E porque é “a volta dos que não foram”?
Tal como o Daft Punk e o Justice (que recentemente “voltaram”, mas nunca foram rs), o disco nunca realmente “se foi”, ou seja, sumiu da cena mainstream. Como já discorrido neste artigo, seus elementos estiveram sempre presentes, em menor ou em maior grau. Produtores estão não apenas utilizando elementos, mas reinventando o estilo “disco” como um todo.
Coincidência ou não, em 2011, Avicii foi o DJ escolhido para tocar na festa de reabertura por apenas uma noite de um dos clubs de disco mais famosos e emblemáticos do mundo, o Studio 54 em Nova York, em meio aos antigos residentes da casa.
Na cena underground o disco também esteve sempre presente – estando em alta no Brasil pelo magnífico trabalho da galera do Gop Tun, para citar um exemplo, que o levou ao famigerado Dekmantel no útlimo final de semana passada, além de diversos artistas e festas, como as da Mareh.
Mas esse é um assunto para explorarmos melhor num próximo artigo. O que você acha?
