Por: Lucas Arnaud
O Camarote Salvador é um nome conhecido dentre os amantes do Carnaval. E não é por acaso: em localização privilegiada no circuito Barra-Ondina em Salvador (por onde passam todos os grandes blocos), o folião pode aliar a energia do carnaval da Bahia com o conforto de um espaço diferenciado. Além dos tradicionais artistas do Carnaval da região (como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, dentre outros), o folião pode desfrutar de um line up com atrações da cena internacional da música eletrônica, tendo o Camarote Salvador sido um dos pioneiros em aliar o Carnaval tradicional a outras vertentes musicais.
Devido a essa característica de ter trazido um pouco da cena eletrônica para o Carnaval baiano, julgamos interessante uma cobertura dessa experiência, de forma a analisar como os artistas e o público se inserem nesse contexto. E vamos lá!
O line up desse ano de 2017 – cujas atrações internacionais principais foram Afrojack, Dimitri Vegas & Like Mike, Fedde Le Grand e Duke Dummont – foi muito bom, porém (pelo menos na minha opinião) não chega ao nível dos line ups passados (será que, por mais que isso tenha melhorado nos útlimos meses, a desvalorização da nossa moeda em relação ao dólar – com o qual os artistas recebem seu cachê, ainda influencia?).
A título de comparação, em 2013 o Camarote contou com Alesso, Nervo, Calvin Harris e FatBoy Slim (além de muitas outras atrações internacionais menores como Tom Staar). Já em 2014 teve Steve Aoki, Armin Van Buuren, Dimitri Vegas e Like Mike e Nervo. Outro detalhe é que o line up desse ano sofreu uma “baixa” terrível: Galantis, que estava confirmado, teve sua apresentação cancelada quase duas semanas antes do Carnaval, para a indignação de muitos.
Após a tardia aprovação do credenciamento, nossa cobertura, segundo as regras, ocorreria no sábado, domingo e segunda de Carnaval, podendo se estender das 19h às 5 da manhã. Por questões de logística da nossa viagem a Salvador (e por conta da demora na aprovação, entre outros mal entendidos por parte deles ao logo desse processo), conseguimos atender apenas o evento da segunda-feira, que seria o dia da apresentação do Dimitri Vegas e Like Mike (DVLM).
Chegou o dia e lá estava nossa equipe. Chegamos por volta das 23h no Camarote Salvador, recebemos nossas credenciais e conversamos com a assessora de imprensa sobre a possibilidade de entrevistar o Dimitri Vegas e Like Mike. Nossas perguntas englobavam alguns aspectos de sua cararreira e coisas mais pontuais sobre o momento, como “que nomes de DJs e produtores brasileiros vem se destacando para vocês?”/ “como está sua viagem ao Brasil? Tiveram tempo de curtir o carnaval?” – dentre outras.
De início, a assessora nos deixou a vontade para conferirmos a estrutura da festa. E realmente era muito boa! A parte da boate, onde se apresentam as atrações de música eletrônica, contava com um palco de led muito bonito, e o soundsystem era excelente – o grave tremia o chão!

Com pouco tempo que estávamos na boate, recebi uma mensagem por whatsapp da assessora para que aguardássemos na sala de imprensa, pois segundo ela deveríamos estar no local para entrevistar o DVLM. Dessa forma nos dirigimos para lá e fomos orientados a aguardar. Passamos cerca de uma hora por lá, quando um garoto do staff da assessoria de imprensa nos disse que os artistas não poderiam nos ver, nos passando informações de modo impreciso – primeiro disse que as perguntas deveriam ser analisadas, então sugeri “as perguntas estão aqui, posso te enviar?” – depois disso ele falou que realmente os artistas não estavam disponíveis para entrevista.
Bom, até aí tudo bem, coberturas normalmente são imprevisíveis e faz parte essa espera, até porque não tínhamos combinado antes um horário. Não tínhamos a entrevista, mas pelo menos poderíamos terminar nossa cobertura.
Após passar a maior parte da noite na sala de imprensa, voltamos à boate, onde a artista MATTN (que é a noiva do Dimitri Vegas!) estava terminando seu set.

Pelo pouco que ouvimos, era uma pegada bem warm up, com algumas flertadas com o big room, porém com alguns drops pop MESMO (ela dropou, por exemplo, a versão original da “This is what you came for” do Calvin Harris).
Eis que entram em palco Dimitri Vegas e Like Mike, com ótima presença e muita aceitação pelo público – afinal, eram a atração principal da noite!
O problema é que, com cerca de 10 minutos de set (às 2:20 da manhã) recebo novamente uma mensagem da assessora, que afirmou que deveríamos liberar as credenciais. Achei estranho, porém, pensei que poderia ser algo como apenas trocar os crachás – nada demais. Só que, mal saí da boate, estava ela e mais duas mulheres da imprensa na porta (não teríamos nem como voltar à sala da imprensa, fomos perguntados inclusive se tínhamos algo lá para buscar).
A assessora afirmou que todas as equipes de imprensa estavam sendo retiradas do local naquele momento (2h20 e não às 5h da manhã como estipulado nas regras). Estranhamosi, porque não havia mais ninguém da imprensa sendo retirado naquele momento, apenas nossa equipe. Não sei se eles também foram avisados e foram sendo retirados na medida em que foram chegando ao encontro da assessora, mas fato é que estamos acostumados a cobrir os maiores eventos no mundo todo e nunca passamos por uma situação dessa antes.
A assessora perguntou se queríamos deixar nossas blusas lá (as blusas da imprensa, com a qual os membros da imprensa estavam vestidos), e nos “escoltou” até a saída. Dessa forma, nossa cobertura ficou prejudicada, visto que mal pudemos analisar a festa ou, pelo menos, o set do DVLM, que era o mais importante da noite. Ficamos com o sentimento de que fomos expulsos sem justificativa nenhuma, mas ela se mostrou irredutível, mesmo nós informando a ela que não tínhamos sequer material suficiente para uma boa cobertura). Ela disse que ia nos enviar dados “interessantíssimos” para enriquecer nossa cobertura. Mas, ao ver os dados que ela nos enviou…
“Video mapping Led Projeção 320 movings 300 placas de painel de alta definição 5600 px 11h por dia 20 toneladas de equipamento – luz e led…. Ditetor técnico Bruno sant`ana”
Entenderam? Pois é. Se quiséssemos apenas colocar dados técnicos e fazer uma cobertura em cima de informações picotadas e mal colocadas que a assessoria nos envia, não precisaríamos ter todo esse trabalho de ir até o local.

O fato é que fomos “expulsos” em horario fora de acordo pela assessora, sem nos oferecerem qualquer explicação, o que descaracterizou nosso trabalho de cobertura no local, e nos deixou constrangidos, para não dizer humilhados. Foi esquisitíssimo termos sido tratados daquela forma – nos sentimos sabotados de assistir a atração principal e nosso pricipal objeto de análise: o Dimitri Vegas e Like Mike.
Engraçado é que já os vi ao vivo pelo menos umas NOVE vezes, não só em festas grandes mas também em privates, nas quais inclusive já trocamos ideia. Estar lá, para nós, seria uma oportunidade de entender como seria a dinâmica dos sets dos artistas na temporada de Carnaval, além de avaliar como isso se alia à experiência do Camarote Salvador como um todo.
Nos dias seguintes, refletindo sobre o ocorrido, busquei algumas explicações por isso ter acontecido (visto que nossa equipe não consumiu nada na festa, apenas estava la com a finalidade de cobrir). Claro que é difícl saber o que de fato os motivou a cometer este erro – talvez a minha idade? Por eu ser relativamente mais novo que muitos dos credenciados lá pela imprensa? Pouco caso com o único veículo especializado credenciado por eles? Enfim, qualquer coisa que dissermos aqui será apenas especulação e não queremos ser levianos.
Por isso enviamos inúmeros e-mails para a assessora de imprensa em questão, para sua empresa de assessoria e até para o atendimento do Camarote Salvador propriamente dito, explicando a situação e pedindo uma versão oficial, para que seus direitos de resposta fossem respeitados e nós pudessemos acrescentar os motivos reais aqui neste review. Infelizmente a única resposta que recebemos foi dizendo que as credenciais foram retiradas seguindo as regras do credenciamento, mas isso não é verdade, pois as regras diziam que os jornalistas deveriam sair de lá de dentro às 5h da manhã, e não às 2h. Questionamos novamente, mas até o fechamento desta nota não obtivemos mais nenhum retorno.
Então é isso – teria sido uma ótima oportunidade para cobrir esse evento (que inclusive ainda carece de melhores abordagens de seu viés na música eletrônica por veículos especializados), porém acabou sendo para nossa equipe uma verdadeira e constrangedora perda de tempo sem justificativa aparente. PLUR!
