Cab Drivers em tour pelo Brasil

Por: Rafael Bronze
Edição: Alexandre Albini

Alemães são apaixonados por automóveis, mas apesar disso, o nome desse projeto não tem nada a ver com motoristas de táxi. A escolha tem a ver com a maior realização de suas vidas, a criação da gravadora com status cult e de referência para novas estéticas dentro do house e techno, a Cabinet Records. Selo que celebrou seu release de número 50 esse ano.

Daniel Paul e Jens Augustowsky explicaram em uma entrevista para o Resident Advisor, em 2016, que os dois “dirigem” a Cabinet Records, portanto são os Cab (abreviação de Cabinet) Drivers (do inglês: motoristas).  Desde 1995, os dois berlinenses se dedicam ao trabalho da label, reconhecida pelo papel de levar sonoridades com uma identidade muito forte, seja em seus próprios releases ou nas escolhas que fazem para compor a coletânea que já dura 22 anos.

As obras da dupla, que já foram lançadas por alcunhas como Compass, Horseshoe, Warten Borgmann e The Poor Knight, representam uma capacidade de realizar novos projetos quando desejam. Suas produções de house e techno são marcadas pelo intenso uso das clássicas máquinas da Roland, em especial a TR-909, fazendo uso de uma programação avançada e sincronizada no estúdio. Também pelas características minimalistas, combinadas com sutis linhas de funk e melodias latinas, os dois criaram uma identidade sonora que os definem.

O duo explora todos seus equipamentos analógicos, buscando os mais particulares elementos, chegando a sonoridades limpas e arrojadas que agradam amantes de house e suas vertentes. Crescidos em um contexto pós-queda do muro de Berlin e numa situação de alta expressão artística, ZKY e Daniel embarcaram no projeto como duo e performam seu DJ set ao redor do mundo.

Em 2017 a dupla vem pela primeira vez para um tour na América do Sul, apresentando seu live (repleto de aparelhos analógicos) na Argentina e no Brasil. Em Buenos Aires passaram pelo Blow Club; em São Paulo, pela Mothership D-Edge; e ainda em Curitiba, na Kubik com os coletivos Patterns e Sweetuf Records, onde também apresentarão seu DJ set; além de Passo Fundo, no Hoss Club.

HOUSE MAG: Quando vocês começaram a produzir música eletrônica qual era o cenário que Berlin estava passando e as principais mudanças relacionadas a arte? Como foi criar um selo poucos anos depois disso?

Cab Drivers: Em 1995, quando começamos o Cab Drivers, tínhamos alguns projetos encaminhados, como, ZKY e Daniel Paul, na Stickman Records do Canadá, que já estava à frente da Acme Pressplant & Distribuition. Nós queríamos ter mais lançamentos, então enviamos várias faixas para a curadoria do selo. Eles gostaram bastante das nossas músicas, porém não se encaixavam na gravadora. Então propuseram que abríssemos um selo próprio, e assim nasceu a Cabinet Records. Naquela época nós fundamos o estúdio no porão que ficava embaixo da nossa loja de vinil, a Melting Point. Estávamos lá produzindo quase todos os dias após o trabalho, fazendo muitas jams. Depois de lançamentos através dos pseudônimos “Horseshoe” e “Compass”, pensamos que era hora de outro nome: Cab Drivers.

Nessa época, a cena em Berlin era meio anarquista e a polícia não ligava muito. Diversas festas aconteciam em galpões e porões abandonados, o que gerou um “boom” positivo. Os jovens estavam muito felizes que o muro havia caído, e celebrávamos o quanto era possível. Foi um período em que nasceram muitos artistas (de todos os tipos) na Alemanha Oriental, que foram somados a selvagem e aberta cena de Berlin Ocidental.

Quando e onde o live foi apresentado pela primeira vez ao público e qual o processo para sair do estúdio e tomar forma?

Foi na E-Week de Berlin em 1996. Nós levamos metade do nosso estúdio, o que quase enchia uma van só de equipamentos. Uma semana antes da gig começamos a praticar. Era muito complicado para reproduzi-lo, pois não tínhamos sampler, somente nossas máquinas controladas via Cubase em um computador Atari ST2 (que às vezes ainda usamos).

Por que decidiram usar tantos aparelhos analógicos e o que pretendiam com isso?

O setup que usamos nunca mudou em 20 anos. Naquela época, vimos que não tínhamos muitas opções para produzir o som que gostamos. O coração de tudo é a 909, mas também amamos a 303, 101, 626, Korg synths e outros equipamentos para “apimentar” tudo, como efeitos. Criamos um processo rápido de achar um loop, improvisando num velho mixer analógico e gravando uma “soma” stereo. Era assim que se produzia em 1995. Não existia nenhum DAW (multifaixa) disponível, então continuamos gravando dessa maneira.

A tour da América do Sul será feita por Daniel Paul e DJ Honesty. Como funciona essa troca com o ZKY e de que maneira surgiu a participação dele no Cab Drivers? 

Hans Schaaf, mais conhecido por DJ Honesty, está conosco desde o começo da Cabinet Records. Somos grandes amigos. Daniel Paul e ZKY produzem as músicas, e Honesty aparece quando ZKY não está disponível. Inclusive, Paul e Schaaf também tem um projeto juntos desde 1995, chamado Slope.

Essa é a primeira vez de vocês no Brasil. Quais são as expectativas?

Nós esperamos ótimos momentos juntos, muita dança e frutas saborosas.

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