Coluna AIMEC: Qual o melhor computador para produção musical?

Por Danilo Bencke

Foto de abertura: divulgação AIMEC Maringá

Se você é produtor e já trabalha em projetos com muitos plugins, que por vezes chegam a ultrapassar 100 canais, então, com certeza, já enfrentou problemas de processamento ou de overload no disco rígido. Sendo assim, a primeira ideia que vem à cabeça é: preciso de um computador melhor. Mas qual será o melhor computador para a produção musical?

Essa é uma pergunta bem complexa que vai muito além de certos requisitos de configurações dos hardwares. Primeiro de tudo, deve se observar a real necessidade destes componentes, já que, com a alta do dólar, os preços ficaram bem estratosféricos. Segundo que quanto mais pesquisamos sobre esse assunto, mais vamos conhecendo as tecnologias e as novidades do mercado, ficando fácil achar que é preciso ter um computador da NASA para produzir, com todas as peças de última geração. Por isso, a extrema importância em se ater à sua real necessidade, ou você irá mergulhar em um poço sem fundo, onde a tecnologia mais avançada de hoje já está ultrapassada amanhã.

Tendo isso em mente, vou passar por pontos chaves que são mais importantes quando se trata da montagem de um computador tendo o foco em produção, mixagem e masterização. Não vou defender marca A ou B, simplesmente vou elucidar alguns pontos positivos e negativos de cada para que tire as suas próprias conclusões. Entretanto, não vou me esquivar da questão e também darei minha opinião pessoal com relação aos assuntos abordados. Então vamos lá!

Mac x Windows

Essa é uma questão quase tão antiga quanto quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Mesmo assim, vamos tentar entender as vantagens e desvantagens de cada um.

Começando pelo Mac. Ele tem um sistema operacional mais otimizado do que o do Windows, por isso, se você tiver duas configurações de computador exatamente iguais em cada sistema, o Mac vai rodar muito melhor com certeza, além de ser muito mais estável. Porém, se compararmos o preço de duas configurações iguais, o Mac vai sair muito mais caro.

Já o Windows é mais pesado, porém, tem uma compatibilidade geral muito maior, o que significa que você não terá que ficar pensando muito sobre a versão do programa, se é compatível ou não, já que provavelmente ele irá rodar tudo o que quiser. Além disso, é muito mais fácil montar um PC Windows, escolhendo as peças separadas do que o Mac, isso pensando em upgrades futuros também é uma grande vantagem (não que o Mac não possa fazer isso, mas, ele vai ser mais caro se puder).

Pensando nisso, minha opinião é: se você precisa de um desktop para uso geral, eu iria de Windows, principalmente, se você pensa em instalar uns joguinhos no PC. Agora, se você precisa de um laptop para tocar ou te acompanhar em viagens, então eu acho que o preço do Mac vai compensar a estabilidade e longevidade, especialmente, para apresentação ao vivo. Neste caso, eu não aconselharia Windows, vai que dá tela azul.

Intel x AMD

Estas duas marcas têm dominado o mercado de alguns anos pra cá e não é a toa. A Intel já é bem conhecida pela excelência e durabilidade de seus produtos, mas, a AMD, tem ganhado o mercado com eficiência e inovação.

No quesito velocidade pura do processador, a Intel ainda ganha por uma pequena vantagem. Isso significa que estes processadores ainda alcançam frequências maiores de processamento, principalmente, quando desbloqueados para overclock (o que eu não aconselho fazer se não souber o que isto significa). Na prática, isso vai dar mais velocidade na hora de renderizar um áudio, por exemplo.

Já a AMD tem se destacado pela maneira como o processador trabalha com os núcleos e threads em conjunto para otimizar o processamento, conseguindo entregar resultados bem melhores quando o trabalho realizado pode usar essa capacidade de comunicação entre os núcleos, sendo o ideal para multitarefas. Na prática, ele vai ser melhor para projetos grandes como em uma mixagem com vários canais e plugins.

Mas, afinal de contas, qual é o melhor então para a produção musical, velocidade ou multitarefa? Bom, a resposta no site da Ableton não é nada animadora: os dois. Na verdade, a recomendação deles é, compre o melhor processador que seu bolso permitir, isso porque de longe o mais utilizado pelo DAW é o processamento. De fato, o Live suporta processadores de até 64 núcleos e faz hyperthread, sendo assim, ele não vai ser um limitador do Hardware.

Mas, muita calma nessa hora! Lembre-se que estamos falando de fazer música e não construir um foguete para a NASA! Sendo assim, eu recomendaria um octa-core (i7 ou Ryzen 7) para quem quiser montar um PC superpotente, mas, daria preferência para a AMD, já que a difrença de velocidade para a Intel não é tão grande, mas quando se fala de multitarefas a diferença é bem maior.

Mémoria RAM

Ao contrário do processador, aqui não faz diferença para o DAW se você tiver muita memória RAM, já que o Ableton Live é um software 64 bits e trabalha “apenas” com 16gb de RAM. Dessa maneira, o foco aqui é a frequência da memória, ou seja, quanto mais rápida melhor. Mas, fique atento às limitações do seu processador e placa-mãe. As memórias DDR4 são mais rápidas que as DDR3, mas, é preciso observar novamente a compatibilidade com a placa-mãe.

HD x SSD

Qual o melhor? Os dois. Eu explico. Embora o HD seja mais lento, ele é muito mais barato, principalmente, quando se trata de grandes quantidades de armazenamento, como 1, 2 ou 4 TB, sendo a opção ideal para guardar seus arquivos. Já o SSD é mais rápido e mais caro, sendo o ideal para rodar o sistema e o DAW, talvez até plugins dependendo da capacidade. Isso com certeza vai deixar o PC mais rápido.

O que alguns ainda não conhecem é a tecnologia M.2 NVMe, que ao invés de se conectar através de cabos SATA como os HDs e SSDs clássicos, ele é plugado direto no PCIe da placa-mãe, conseguindo se comunicar muito mais rapidamente com o processador. Desta maneira ele chega a alcançar velovidades de 3x a de um SSD comum. Nem é preciso dizer que também é uma tecnologia mais cara e que precisa ser compatível com a placa mãe.

Na prática, você vai ter tempos de carregamentos bem menores e vai sentir mais diferença trabalhando em projetos com muitos samples ou stems de mixagem (menos overload no disco rígido) e também com samplers pesados. 

Placa Mãe

Aqui o foco é compatibilidade. Se você já possui uma, observe a compatibilidade dela com novos componentes se deseja fazer upgrade. Se você vai comprar uma nova, veja quantas portas USB você vai precisar, se vai usar vídeo integrado (como estamos falando de fazer música, então, provavelmente, você terá uma placa de som, não sendo necessário se importar muito com o som on board), se você precisa de tecnologias mais avançadas de conexão como USB-C e Thunderbolt.

Minha dica aqui é economizar na palca-mãe para investir no processador. É possível pegar ótimas placas com os chipsets mais novos (x570 para AMD e z490 para Intel) sem gastar rios de dinheiro, optando por modelos de entrada que vão suportar mesmo os processadores da nova geração sem problemas.

Conclusão

Se você está pensando em dar um upgrade no seu PC, então essas dicas são super úteis, mas, tenha em mente sempre a sua real necessidade e o custo-benefício dos componentes, ou será muito fácil se perder no meio de tanta tecnologia. Como guia geral, eu diria que se você não sabe o que é uma tecnologia ou não sabe dizer a diferença entre um e outro, é porque você não está usando e consequentemente não precisa disso.

Agora, se você está enfrentando problemas com o PC na produção, mas ainda não está no momento financeiro de fazer um upgrade, existem várias técnicas para otimizar o sistema e o DAW para melhorar a performance, como: fazer freeze and flatten em canais MIDI pesados, aumentar o Buffer Size, configurar a BIOS para alta performance do processador, desligar recursos do Windows que pesam e consomem processamento desnecessário, entre outras técnicas.

Mas isso já é assunto para um outro artigo! 

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