por Anderson Santiago fotos Gabriel Hostins – Matéria de capa publicada na revista House Mag de #45
Curiosa e inquieta, a catarinense de Blumenau Fabi Cenci aprendeu a tocar instrumentos musicais na infância, teve bandas na adolescência, mas acabou seguindo carreira como designer, cultivando seu amor às batidas como um hobby. Foi somente há dois anos, aos 26, que veio o insight que mudaria sua vida: largou emprego fixo e decidiu apostar no sonho de se tornar DJ. Conhecida pela ousadia sonora e por promover misturas inusitadas, em seleções que não seguem uma linha apenas nem se prendem a um único estilo, já lançou produções em gravadoras como Secret Tune e Pure Moment Records, além de cuidar de três selos de festas que agitam o interior de Santa Catarina. Batemos um papo com ela para entender um pouco dessas conquistas. Confira:
Você toca instrumentos desde criança. Quando começou a se interessar por música eletrônica e decidiu que realmente seria DJ?
Sempre estive envolvida com música. Na adolescência participei de bandas como baterista e no violão, mas acabei me dedicando profissionalmente ao design. Aos 26 anos, insatisfeita com o trabalho, larguei tudo e falei para minha mãe: “Vou ser DJ!”. Foi um choque pra ela. Em 2014, pedi demissão, entrei no curso de mixagem e decidi investir em mim, acreditar no que julgava ser certo. E me encontrei.
Você começou a se destacar na cena local em pouco tempo. Como se preparou nesses dois anos e quais foram os principais desafios que enfrentou?
Além de cursos, como boa nerd que sou, fui me virando de forma autodidata. Por ter aprendido muita coisa sozinha, acho que criei meu jeitinho próprio de fazer música. Em 2015, decidi assinar os projetos como Noizzed, pois sempre quis que as pessoas ouvissem meu som sem preconceitos, livre de rótulos, sem saber quem estava por trás. Nesse período, o maior desafio foi por ser mulher. Parece brincadeira, mas é incrível como as pessoas, principalmente os homens, olham para mim e já imaginam que não sou capaz. Tive que manter foco e esforços dobrados e nunca permitir que o machismo fosse uma limitação.
A região Sul do Brasil é conhecida por ter uma cena eletrônica bem forte e ser um celeiro de talentos. Esse contexto a ajudou?
Sim. Tive experiências inesquecíveis tocando no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, nos clubs Pacha Floripa, Terraza, El Fortin e Nudh, por exemplo. Estando aqui, você é automaticamente influenciado através dos eventos que rolam, sempre com lineups interessantes. Já fui a festas que considerei verdadeiras aulas de condução de pista, mixagem e sonoridades. É impossível passar imune a tudo isso.
Além de discotecar e produzir, você também promove eventos. O que te levou a fomentar a cena eletrônica local?
Foi a paixão pela música e a vontade de expandir minha arte e meus ideais. Tenho três selos de festa: o Kollect foi o primeiro a nascer, e se propõe a convidar artistas para fazer b2b; já o Machine é mais ousado e ocorre dentro de uma fábrica desativada, em que divido a curadoria com o DJ e amigo Paulo Butzke; e o terceiro é o HAUS, ao lado da DJ Emmy Betiol, em um evento mais conceitual voltado ao público envolvido com a cena.
Quais são seus planos para o futuro? O que você está preparando em termos musicais neste momento?
Minha vontade é expandir muito o que hoje acredito ser um novo lifestyle, assim como o rock foi anos atrás. Para isso acontecer, precisa haver crescimento e desenvolvimento da cena como um todo, para expandir a cultura de música eletrônica e possibilitar que as partes envolvidas possam viver dessa arte através do seu trabalho. No momento, estou na fase final de oito músicas e fechando um EP chamado My Mind, -— em parceria com o produtor HOTTE —, que já está tocando por aí. Pela primeira vez, vou lançar também uma música com vocal criado e cantando por mim, chamada “Ritualis”, além de algumas contribuições que ainda devem rolar. O ano de 2017 promete!
“Por ter aprendido muita coisa sozinha [de forma autodidata], acho que criei meu jeitinho próprio de fazer música.”
