Dez atitudes que podemos tomar para termos um mercado de dance music menos sexista


Por: Lucas Arnaud

Parabéns mulheres! Hoje, 8 de março, é considerado o dia internacionacional da mulher. Em nossa última edição impressa, destacamos a história de vitoriosas mulheres no nosso cenário brasileiro da música eletrônica – vitoriosas não só por serem bem sucedidas no que amam fazer, mas também por superarem diversas barreiras em um mercado composto (ainda) por uma maioria de homens. Mas mesmo diante dessas inspiradoras histórias, ainda hoje somos obrigados a nos deparar com esse tipo de pensamento lamentável:

 

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Nesse caso, o indivíduo que fez o comentário acusa ANNA (que foi a capa de nossa útima edição impressa) de não produzir suas próprias músicas. O triste, é que esse tipo de pensamento, muitas vezes, atinge principalmente nossas artistas mulheres. Será que ele faria o mesmo tipo de comentário em uma notícia de um artista homem?

É sobre isso (e outros fatores) que discorre esse excelente artigo da MIXMAG inglesa, que traz dez “coisas” que podemos fazer para tornar o mercado da música eletrônica menos sexista. E não, minha intenção aqui não é copiar à risca esse artigo e tampouco traduzí-lo. Escrevo esta nota no intuito de pôr esse texto da Mixmag em evidência (uma leitura obrigatória! :D), e vou, eu mesmo, elencar resumidamente alguns dos pontos dissertados no mesmo. Vamos lá!

1) Analise o line-up da festa na qual você está tocando.

Isso mesmo: prefire line-ups que valorizem a diversidade! A tendência é justamente essa, vemos cada vez mais nomes femininos em festivais das mais diferentes vertentes da música eletrônica.

2) Contratem mais que “apenas duas” mulheres para seu festival.

Não vale chamar uma ou duas artístas apenas para dizer “meu festival não tem só artistas homens”!

3) Parem de acusar as artistas de não produzirem suas próprias tracks!

Dá uma olhadinha no “print” ali em cima que fica fácil de entender.

4) Use o seu poder de consumo.

Essa é uma das dicas que achei mais efetivas: o mercado não perdoa! Por isso, consuma material de labels que prezem pela diversidade. Use seu status de consumidor para reclamar de falta de representatividade, quando esta existir.

5) Cuidado com seu comportamento online!

Comentários misóginos são comuns em plataformas como Boiler Room e Facebook. Watch yourself!

6) Denuncie assédio na pista de dança!

Se alguém te fizer sentir desconfortável na pista de dança, invadindo de seu espaço pessoal, por exemplo – denuncie!

7) Vote em mulheres nas pesquisas de opinião!

Não faltam excelentes artistas mulheres que merecem bons resultados em pesquisas. O rank da DJ Mag, por exemplo, só trouxe duas artistas femininas, dentre os 100 selecionados para o ranking.

8) Use sua plataforma para promover as artistas!

Eu, hoje mesmo, já republiquei no SoundCloud aquele set sinistro da Anna Lunoe no Eletric Zoo. Use e abuse das diversas mídias sociais para promover suas artistas preferidas!

9) Paaaarem com essa história de que uma mulher só está no mercado da dance músic porque “transou com alguém”.

No século XXI, uma afimação dessa chega a ser absurda, além de, quase de modo pueril, generalizar a complexidade do mercado de música eletrônica.

10) Finalmente – fale!

Expressem, mulheres, suas opiniões! Compartilhem suas histórias, seus gostos, suas percepções. Nesse sentido, confira na nossa última edição impressa entrevistas com diversas mulheres de sucesso no mercado da música eletrônica, onde elas soltam o verbo sobre suas trajetórias e seus desafios na cena. Essas entrevistas serão colocadas hoje ao longo do dia em sua versão menor, que vai pra impressa, em formato de PDF, e aos poucos, estamos colocando uma por uma também online, na íntegra. 

FELIZ DIA DAS MULHERES! 

 

Somente a mulher sabe do que a mulher é capaz.” – W. Somerset Maugham 

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