Por: Lucas Portilho de Faria Cunha
Música não faz discernimento de idade. Nós, seres humanos, fazemos. Seja você uma (um) produtora/deejay com 12, 18, 45 ou 65 anos de idade, saiba que é possível desenvolver habilidades, técnicas e metodologias profissionais e ser respeitado pelo mercado, indústria, nicho e/ou cenário no qual pretende fazer parte.
Existem vários caminhos a serem seguidos para se alcançar uma carreira musical de sucesso e, como toda trajetória, existem “pedras” que podem atrasar a sua caminhada profissional. Leis, preconceitos e a não aprovação familiar podem dificultar os sonhos de uma (um) jovem que almeja ser deejay/produtor. No entanto, felizmente, estas barreiras não são intransponíveis.
Batemos um papo com Luiz Coppola sobre diversos aspectos da sua vida profissional e pessoal. As palavras ditas servirão como prova da irrelevância da idade quando estamos falando sobre a realização de um sonho.
Com apenas 16 anos, Coppola assinou com uma das maiores agências do país, a Plusnetwork, em dezembro do ano passado, e agora você tem a chance de o conhecer melhor:
HOUSE MAG: Olá Luiz. Muito obrigado por nos ceder esta entrevista. Para começarmos, gostaria de lhe perguntar sobre a sua trajetória na música eletrônica. Quando você se interessou por ela e em que momento decidiu que a música eletrônica seria a sua profissão?
COPPOLA: Comecei a me interessar quando eu tinha 12 anos, meu amigo tinha uma CDJ 100, e comecei a brincar com ela até que pedi uma controladora para o meu pai, aí o tempo passou e ele sempre me perguntava o porquê de eu só tocar música dos outros. Quando fiz 15, fui para os Estados Unidos e comprei o meu primeiro Macbook, e foi quando comecei a produzir.
HM: Fale um pouco sobre as maiores dificuldades e principais conquistas da sua carreira até a sua contratação pela Plusnetwork.
COPPOLA: A maior dificuldade foi me envolver com a tecnologia dos softwares. Eu não fazia ideia de como funcionava e, como a maioria deles é em inglês e eu não sou fluente, também dificultou uns 90% (risos). A conquista que eu mais considero é o apoio dos DJs que eu sempre gostei.
HM : Como foi a negociação com a Plus Network? Estavam conversando faz tempo?
COPPOLA: Eu fiz curso de produção na DJ Ban e eu acabei evoluindo muito nas minhas produções até que o Ban Schiavon me apresentou para um amigo que ele tinha trabalhado a uns 20 anos atrás em uma rádio. Esse amigo é o Luis Claudio Boka, booker da Plus Network. Na mesma semana que o conheci, eu já estava no casting da agência. No entanto, [a agência] só pode me anunciar quando completei 16 anos de idade, pois precisei ser emancipado para facilitar a minha entrada nos clubs.

HM: Você sente que precisava de uma agência? De que forma você imagina que a Plusnetwork irá acompanhar o seu desenvolvimento profissional?
COPPOLA: Com certeza senti que eu precisava [ser agenciado], pois eu me dedico 100% a produção e não sobra tempo para cuidar de gigs, logística, etc.
HM: Qual é a origem do nome Coppola?
COPPOLA: Meu nome é Luiz Coppola Monegatto, mas a escolha foi fácil, pois Coppola já é um nome conhecido internacionalmente pelo diretor de cinema Francis Ford Coppola, então resolvi escolher esse nome.
HM: De acordo com o release lançado nas redes sociais da Plusnetwork, você integra uma nova geração de artistas que levantam a bandeira do techno. O que é techno para você?
COPPOLA: Techno para mim é quase que uma religião. Só quem gosta entende. É uma galera que não ostenta nas festas, estão lá pela música.
HM: Quem são as suas influências? O que você ouve?
COPPOLA: Minhas maiores influências são: o Victor Ruiz, ANNA e o Gui Boratto. Pessoas que conseguiram expandir a carreira para fora do Brasil que é, justamente, o meu maior foco. Não tenho artista preferido, estou sempre escutando diversas labels e canais de música eletrônica. [Atualmente] estou gostando muito do o canal Progressive Astronaut e a label Dyinamic.
HM: Quais recursos instrumentais e teóricos você se sente mais à vontade em utilizar para a produção de uma faixa e como é para você o processo criativo na produção de uma música?
COPPOLA: Teoria musical é a base para mim, estou estudando ainda ela, eu toco guitarra desde criança e estou aprendendo a tocar teclado pois sinto falta. Geralmente quando quero fazer uma track mais reta eu começo pela bateria mas quando quero me expressar começo pela melodia.

HM: Quais são as atividades que realiza fora do ambiente da música eletrônica? O que faz no tempo livre? estuda, etc?
COPPOLA: No meu tempo livre eu costumo andar de skate, estudar teoria musical e caçar músicas na internet (risos).
HM: De que forma você coordena as suas duas vidas: a profissional e a pessoal?
COPPOLA: Quase não sobra tempo para os amigos e família, pois sou muito focado na produção nos dias de semana e quando tem gig, tento dar o melhor de mim nelas. Mas como o meu pai é o meu “tour manager”, não sinto tanta falta de ficar em casa.
HM: Quais são as vantagens e desvantagens de uma carreira profissional na música eletrônica, na sua idade?
COPPOLA: Na minha idade tem uma vantagem muito grande que é que tem sempre alguém me acompanhando nas gigs, mas as vezes não é legal, pois enche o saco ter alguém o toda hora com você. As desvantagens é que para tudo eu preciso de um responsável, muitas vezes eu tenho que tocar e sair logo depois do meu set (mesmo querendo ficar), pois sou menor de idade.
HM: Como você lida com as viagens, trocas de horário, e as tentações da vida noturna?
COPPOLA: Eu acredito que algumas pessoas foram feitas para a noite, meu som se desenvolve muito mais nas madrugadas do que de dia, mas o que é difícil é acordar cedo (risos).
HM: Você já teve algum entrave na sua carreira como deejay? Algum episódio que considera delicado?
COPPOLA: Ainda não tive, mas creio que, como o meu som ainda não é muito aceito no Brasil, eu posso perder a pista algumas vezes.
HM: Antes de uma apresentação: como se dá a sua preparação técnica, emocional e psicológica?
COPPOLA: A única coisa que faço antes de uma apresentação é pedir a Deus que de tudo certo.

HM: Seus pais te apoiam? Te aconselham?
COPPOLA: Meus pais começaram a me apoiar muito depois, quando viram que a minha carreira tinha um futuro promissor, mas muitas pessoas acham os meus pais loucos de deixar eu trabalhar na noite.
HM: Quais são os seus sonhos dentro e fora do universo da música eletrônica?
COPPOLA: Meu maior sonho é que os meus ídolos sejam os meus fãs um dia e fora da cena é crescer espiritualmente.
HM: Quais são os seus objetivos e sonhos, profissionalmente?
COPPOLA: Meu objetivo é levantar a bandeira de techno no Brasil.
HM: Por fim: Resuma o ano de 2016 pra você e cite alguns destaques (seus artistas e músicas preferidos, por exemplo).
COPPOLA: 2016 para mim foi um ano muito pesado, muitas coisas boas aconteceram e muitas coisas ruins também acontecem, perdi alguns entes queridos, como a minha grande influência, o meu avô. Mas espero que 2017 seja um ano melhor.
