A importância do A&R no cenário atual

Por Rodrigo Rodriguez
Edição Alexandre Albini

Abreviação de “Artístico & Repertório”, é como se o A&R fosse os pais do artista dentro de um selo ou gravadora, agindo com bastante fluidez na companhia. É o profissional responsável por desenvolver a carreira dos músicos, compositores e bandas do cast, buscando ideias para colaborações e participações especiais. É ele que procura novos nomes no cenário, apostando nos que têm potencial para despontar no futuro, e é quem define com sua equipe de marketing todos os ativos necessários para investir no talento destas pessoas e dos produtos que serão trabalhados, criando um cronograma de releases condizente.

É quem escuta demos incessantemente, seleciona as faixas mais apropriadas, determina as datas de lançamento, sugere alterações, nega o que não for favorável e busca as melhores oportunidades no mercado, além de identificar possíveis hits e quais serão as músicas de posicionamento dos artistas. É o que se envolve em todo o processo de um single, EP ou álbum, desde a aprovação da mix/master até o agendamento da chegada dos CDs, DVDs e vinis nas lojas físicas e do áudio nas plataformas digitais. E em algumas gravadoras, o departamento artístico fica responsável também pela produção e lançamento dos videoclipes.

Várias gravadoras segmentadas hoje como Defected, Ministry Of Sound, Hed Kandi, Spinnin’, Suara e Armada se tornaram mundialmente aclamadas muito por conta do trabalho do A&R, que é o profissional responsável pela gestão de marca, e principalmente por definir uma identidade musical que os faz sólidos e reconhecidos no mercado. Quando DJs fundam seus próprios selos, eles nada mais são do que grandes A&Rs, pois além de enorme conhecimento e de terem o ouvido apurado, recebem demos o tempo todo e assim se cercam de faixas com sons semelhantes aos que tocam e produzem, criando núcleos relevantes a serem seguidos.

O A&R atua então como uma ponte entre os artistas e a gravadora. Dentro da companhia, está diretamente ligado a todas as áreas, iniciando pelo jurídico que é setor onde começa todo o processo de contratação artística e de licenciamento, passando pelo financeiro que pode aprovar ou não as contratações e os produtos. Depois, pela equipe de label (que gera a Label Copy –  documento que contém todos os metadados de um fonograma, vídeo ou álbum) e termina no marketing, que trabalha com o A&R na escolha da capa e identidade visual para redes sociais, além de fazer toda a função de PR, imprensa, rádio e TV.

É o que precisa entender o básico de direitos autorais, direitos conexos, sociedades e execução pública. Tem que saber lidar com pessoas, de diferentes temperamentos e comportamentos, pois além do artista, o A&R mantém contato o tempo todo com empresários, produtores musicais e agências de comunicação. Um trabalho que está totalmente ligado à cultura e criatividade, mas também com novos negócios e marketing. Afinal, além de ouvir muita música, assistir clipes, frequentar shows, virar noites em estúdios e participar de reuniões, é preciso também mexer diariamente com planilhas, cálculos, propostas e contratos.

Na parte comercial, tem que considerar se determinada música ou álbum serão vendáveis, ou no caso de propostas alternativas, se há relevância suficiente para ser lançado. É quem cria uma estratégia tendo sempre cuidado com perfil, imagem e posicionamento do artista. Por isso vemos vários A&Rs que são publicitários de formação, com o radar ligado constantemente e bastante envolvidos com tecnologia, principalmente a das plataformas de áudio digitais. Portanto, contato acaba sendo o elemento principal dessa profissão, tanto que muitos falam que a sigla significa na verdade “Amor e Relacionamento”.

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