Sage Act: conheça o trio de Recife que une experiência orgânica com elementos eletrônicos

Por assessoria

Foto de abertura: divulgação

O trio instrumentista de DJs, Sage Act, é um projeto único no Brasil e traz influências estrangeiras para produzir um som eletrônico mesclado com sons orgânicos, criando uma distinta, diferenciada e prazerosa atmosfera, muito parecida com a que o grupo australiano Rüfus Du Sol também proporciona. O grupo formado por Henrique Xavier, Matheus Alvim e Mauro Mota, apresenta seu mais novo lançamento, a música “Colorado Springs”, trazendo a experiência do show deles de Aspen, na cidade do Colorado, para o estúdio, e consequentemente, para a casa de vocês.

A parte final do processo criativo da “Colorado Springs” foi toda desenvolvida depois do anúncio da pandemia global. Portanto, a letra traz um forte apelo de resiliência. “Stick it to the plan now, and don`t ask it”. “How can I decide never be alone?”, são alguns dos apontamentos feitos, que se referem a capacidade que devemos desenvolver para permanecermos firmes em meio a uma crise, e, sobretudo, não termos medo de ficarmos sozinhos por um tempo, mas, saber tirar proveito disso.

Projeto musical formado no Recife, o Sage Act busca em seu propósito unir a experiência orgânica com elementos eletrônicos presentes no cenário mundial. O resultado provoca a sensação de proximidade com a cena pop, sem perder o toque underground “dance” em sua essência. Algo feito com a alma e o talento. Tivemos o prazer de poder conversar com eles. Confira!

HM – Sabemos que vocês já estão há dois anos juntos. Como foi o início desse sonho? Onde vocês se conheceram? Vocês trouxeram a bagagem dos projetos solos anteriores?

O começo da nossa carreira foi algo muito orgânico e inusitado. O projeto Sage Act foi iniciado por Henrique, há três anos. Com o tempo, eu (Mauro), comecei a trocar muitas ideias sobre música com Henrique, pois nós já haviamos estudado juntos na faculdade. Enquanto estávamos começando a produzir alguns esboços a distância, Matheus – que já era mais próximo de Henrique- também foi se interessando pelo projeto, e de forma muito espontânea nós começamos a fazer música juntos, e continuamos até hoje.

Henrique e Matheus trazem bagagens mais consolidadas na cena do Nordeste e puderam incorporar toda essa experiência na vivência do Sage. No meu caso, o Sage é o meu primeiro projeto, então acabo ficando muito atento a todas as dicas que eles, que já estão há mais tempo na cena, conseguem passar pra mim.

HM – Vocês unem elementos orgânicos com a música eletrônica, certo? Quais instrumentos utilizam nas apresentações live? Vocês mesmos fazem os vocais das tracks?

Isso. A nossa intenção sempre foi mesclar elementos de banda na música eletrônica. A nossa meta é incorporar ambas as experiências (de banda e eletrônica) nas nossas apresentações. Nós acreditamos que essa mistura seja uma tendência muito forte na cena eletrônica internacional e ficaremos extremamente gratos se pudermos protagonizar o crescimento dessa sonoridade aqui no Brasil. Acreditamos muito que esse modelo híbrido de apresentação ainda ganhará muito espaço na cena eletrônica nacional.

No palco, Henrique usa uma Apc40, e em alguns shows uma bateria eletrônica SPD-SX; Matheus usa uma Fender telecaster, que passa por um looper multi efeitos Boss RC 202, e em alguns shows ele leva um sintetizador Microkorg; e Mauro usa um processador TC Helicon pra controlar efeitos/delays/reverbs. E respondendo a sua última pergunta, os vocais são 100% autorais.

HM – Sabemos que a apresentação em Aspen foi um game-changer na carreira de vocês! Como foi essa apresentação? O processo de inspiração para “Colorado Springs” começou lá certo?

 
 
 
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Confere aí um pouquinho do que vivemos na nossa gig em Aspen! Aumenta o som que o vídeo contem spoiler de música nova! haha🤘🏼

Uma publicação compartilhada por Sage (@sage.act) em10 de Mar, 2020 às 3:15 PDT

Isso! A oportunidade de nos apresentar em Aspen trouxe muito ânimo e energia pra nós, foi uma sensação indescritível! O fato de estarmos alí, em tão pouco tempo de carreira e dividindo palco com grandes inspirações da cena eletrônica mundial, foi realmente uma sensação que não tem preço. Apesar de já existirmos há três anos, nós começamos a fazer shows a menos de um ano atrás, então jamais esperávamos estar vivendo aquilo em tão pouco tempo, por isso ficamos mais otimistas e confiantes com o nosso trabalho.

Nós já havíamos ido pra viagem com um esboço inicial da track “Colorado Springs”, mas ela ainda estava incompleta. A vivência que tivemos lá nos EUA foi o terreno perfeito pra construir o resto da estrutura da música. Finalizamos os ultimos detalhes após a viagem, bem no começo do isolamento social. Com toda certeza, quando ouvimos “Colorado Springs”, revivemos toda a experiência que tivemos nos EUA.

HM – Como vocês fazem para conciliar as sonoridades de cada um para formar a identidade do trio? Dá muita briga na hora de produzir?

No começo dava mais. Nós tivemos que aprender com os erros. Cada um tem uma personalidade muito forte e uma formação musical muito distinta. Na medida que fomos nos aproximando, fomos conseguindo encontrar meios de suavizar o nosso processo criativo. Dessa forma, além de evitar conflitos, aproveitamos aquele momento de criação para que possamos atingir o nosso maior propósito: criar músicas que transmitam a nossa essência.

HM – O som de vocês tem influências de bandas como Rüfus du Sol, Zhu, Bob Moses, entre outros. O que vocês mais escutam para terem mais inspiração?

Cada um dos três vem de uma formação musical muito distinta entre si, mas a eletrônica acaba sendo nosso ponto de interseção.

Henrique sempre foi mais da eletrônica. Matheus veio do rock. Eu sempre escutei muito pop e MPB. Hoje em dia essas três trajetórias se cruzam com a intenção de produzir música eletrônica, e essa mistura acaba sendo muito interessante! Quando adicionamos as nossas referências da eletrônica (Rüfüs, Bob Moses, Monolink, Black Coffee etc) e mesclamos com alguma referência externa – algum/a artista novo que eventualmente estamos ouvindo- o resultado costuma ser muito inusitado.

HM – Como é fazer as composições na língua inglesa? Essa será sempre a linha do Sage Act?

O motivo das nossas composições serem em inglês é simples: queremos que a nossa música possua um teor universal, ou seja, pessoas de diversos países consigam escutar e criar uma identificação com a nossa arte. O inglês acaba sendo um recurso interessante para cumprir esse objetivo.

Nós já havíamos lançado uma música em português, e gostamos da experiência. Ter uma música cantando com o nosso sotaque recifense representa muito pra nós. Temos um orgulho imenso da nossa origem e do berço cultural que estamos inseridos aqui em Pernambuco, e somos extremamente gratos pela oportunidade de ter crescido num lugar tão incrível como Recife. Não descartamos em hipótese alguma a possibilidade de lançar outras músicas em português. 

HM – Hoje como é a composição do show de vocês? 100% autoral?

Aproximadamente 70% do show é composto por músicas autorais, e os 30% restantes nós procuramos fazer mashups com arranjos de outros artistas, incorporando vocais autorais ou até mesmo improvisos de guitarra e vocal.

Dessa forma, conseguimos trazer uma experiência orgânica de banda numa apresentação de música eletrônica. Notamos que esse modelo híbrido é uma tendência muito forte na cena eletrônica internacional, e isso nos estimula muito a continuar com esse estilo de apresentação, afinal de contas, desde o início é isso que estamos dispostos a implementar na cena eletrônica brasileira.

HM – Vamos falar agora de “Colorado Springs”, que é o lançamento do momento. Qual é a mensagem que vocês querem passar com a track?

No começo da construção da letra, havíamos optado por escrever sobre um tema mais trivial: a distância entre pessoas queridas e as dificuldades em um relacionamento, seja ele amoroso ou não.

Porém, na medida que fomos maturando a construção da mensagem na quarentena, optamos por incorporar um forte apelo de resiliência. “Stick it to the plan now, and don`t ask it”. “How can I decide never be alone?”, são alguns dos apontamentos feitos, que se referem a capacidade que devemos desenvolver para permanecermos firmes em meio a uma crise, e, sobretudo, não termos medo de ficar sozinhos por um tempo, mas saber tirar proveito disso!

 
 
 
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`Colorado Springs` surgiu em meio a um momento incrível de nossa carreira: fizemos a nossa primeira série de shows internacionais em Aspen – antecipando em alguns anos a nossa meta de realizar uma gig em solos internacionais -. Este fato por si só nos trouxe muita inspiração e ânimo. E foi assim que criamos a track: um compilado de inspirações oriundas de novas paisagens, novos ares. A parte final do processo criativo foi toda desenvolvida enquanto já estávamos enfrentando o momento delicado de pandemia global. Portanto, a letra traz um forte apelo de resiliência. “Stick it to the plan now, and don`t ask it”. “How can I decide never be alone?”, são alguns dos apontamentos feitos, que se referem a capacidade que devemos desenvolver para permanecermos firmes em meio a uma crise, e -sobretudo- não termos medo de ficar sozinhos por um tempo – mas saber tirar proveito disso -. `Colorado Springs` foi o primeiro resultado de uma transição que estamos vivendo em nossa carreira. Esta transformação não se limita somente ao âmbito artístico, mas inclui, evidentemente, o nosso âmbito pessoal e profissional. Um dos grandes desafios de qualquer projeto – em qualquer área de atuação – é justamente conseguir encontrar um jeito único e autêntico de se expressar, para que quando o espectador tenha contato com a obra, consiga rapidamente identificar a sua autoria. Depois de anos tentando estruturar a nossa estética musical, não temos a pretensão de afirmar que já a encontramos, mas este lançamento representa um passo muito importante rumo a esse objetivo.

Uma publicação compartilhada por Sage (@sage.act) em23 de Jun, 2020 às 9:35 PDT

HM – Sabemos que a track faz parte de uma transição que estão vivendo na carreira. Como está sendo isso pra vocês?

O momento de pandemia global, evidentemente, não está sendo fácil pra ninguém. Em meio as dificuldades, sabemos como o ramo de eventos está comprometido. Estamos tentando passar por esse momento com muita tranquilidade, tentando aprimorar cada vez mais a nova estética musical que estamos construindo. A nossa expectativa estava muito alta pra a nossa volta ao Brasil depois da gig em Aspen, e acabamos tendo que aceitar que as coisas não iriam acontecer no tempo que havíamos previsto.

Havíamos confirmado presença em alguns eventos muito importantes para a nossa carreira, mas tudo isso poderá ser concretizado depois. O importante agora é ter muita responsabilidade: cuidar de si mesmo, do próximo, e fazer o que tiver ao nosso alcance pra ajudar a sociedade a passar por essa situação.

HM – O que podemos esperar do Sage Act nos próximos meses? Novos lançamentos?

Estamos completamente focados no processo criativo de novas músicas. Iremos lançar novas músicas (ou até EP’s) esse ano, mas estamos usando esse momento, principalmente, para aprimorar a nossa estética musical. Também estamos tentando desenvolver tracks mais voltadas para a pista. O momento agora é de muita curiosidade para tentar prever a maneira que a pista se comportará na volta dos eventos. Sabemos, entretanto, que é difícil ter essa resposta agora. Devemos aguardar com paciência, e continuar apostando nas nossas previsões e confiando na nossa intuição.

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