A Itália, um dos países com maior bagagem cultural no mundo ocidental, não poderia ter outro destino na música. Reinventou-se nos anos 1980 como um dos epicentros da música eletrônica, fundindo herança disco com sons inovadores dos sintetizadores. O país moldou o Italo-disco, que pavimentou o caminho para house e techno no país.
Tudo começou no início dos anos 1980, quando a disco europeia evoluiu para o Italo-disco – um som hi-nrg, com sintetizadores marcantes e vocais etéreos. Selos como Discomagic e ZYX lançaram hinos dançantes para rádios e clubes e foram de extrema importância neste momento para expandir fronteiras.
Giorgio Moroder, grande produtor/compositor musical, foi um pioneiro com álbuns como ‘’From Here to Eternity’’ (1977), usando o Moog para fazer novas texturas. Claudio Simonetti e composers como Alessandro Alessandroni também foram figuras importantes na construção da sonoridade. Ao ser exportado para o mundo, o Ítalo disco vendeu milhões e influenciou gigantes como Madonna e New Order em suas discografias. O Ítalo não era só festa: era escapismo pós-industrial, com BPMs acelerados ecoando a efervescência italiana.
O house de Chicago cruzou o Atlântico via Ibiza por volta de 1987, aterrissando em clubes milaneses como o Plastic e o Alcatraz. O Italo-house emergiu como fusão: batidas 4/4 profundas, samples vocais e linhas de baixo funky, adaptadas ao que estava em alta nos clubes da época.
A cena explodiu em 1988 com o “Summer of Love” em alta espalhando-se por toda a Europa, raves em praias da Riviera e festas underground que desafiavam a moral católica muito forte na cultura italiana.
O techno de Detroit chegou no anos 1990, via festivais como o Love Parade em Berlim, mas a Itália o apropriou com intensidade: sons minimalistas, percussões tribais e sets intermináveis. Milão, Turim e Nápoles viraram mecas para os clubbers, com festivais como o Kappa FuturFestival atraindo milhares de turistas todos os verões.
Alguns nomes como Gigi D’Agostino, Marco Carola, Dino Lenny e Benny Benassi levaram e ainda levam a herança e o groove italiano aos maiores palcos do mundo. De uma nova onda musical local, que se transformou num fenômeno global e sem dúvidas influenciou toda a geração futura que veio a produzir house e techno.
Por redação
