Por assessoria
Foto de abertura: Ricardo Harok
Os artistas Korvo e Barja acabaram de lançar sua primeira música juntos e o resultado não poderia ser melhor. “All Night” carrega as principais características dos dois, de um lado, a identidade melódica do carioca que iniciou a sua carreira em um dos principais clubs do país, Privilège Brasil, do outro, a voz marcante e imponente de Thais Barja que, em setembro de 2019, se apresentou no Palco New Dance Order, no Rock in Rio, para o canal Multishow/Canal Bis e assina também a composição da track.
A música, lançada pela Elevation, é uma track poderosa e não à toa ganha um clipe nesta sexta, 28.
Em meio à muita expectativa, os artistas tiraram um tempinho pra conversar com a gente. Falamos sobre futuras collabs e lançamentos, o clipe (é claro!), produção, processo criativo na pandemia e mais. Vamos conferir?
HM – O que guiou vocês para a música eletrônica? Conte um pouco sobre a carreira de vocês.
KORVO: Minha relação com a música vem desde a época do colégio. Sempre tive interesse por música e as melodias me deixavam relaxado. Nesta época, ouvia muito Pink Floyd, meu pai tinha todos os vinis. Também cheguei a ter uma banda no colégio, eu era o baixista, aquela troca com os colegas me fez despertar para a música e sonhar em ser um artista. Me mudei para Búzios aos 17 anos e, logo ao completar 18, comecei a frequentar o Privilège assiduamente, onde vislumbrei toda a magia que seria apresentar a minha arte como DJ de música eletrônica! Aquela pista é inspiradora (quem conhece sabe do que eu estou falando)! Não satisfeito só com a discotecagem, em meados de 2016, fiz o curso da AIMEC em Curitiba e me formei em produção musical, tendo como principais referências Stephan Bodzin, Gui Boratto, Solomun, Artbat e Gabe.
BARJA: Eu falava que queria ser cantora desde os três anos de idade. Cantei a vida toda na minha escola, tive banda de indie rock grunge e, aos 18, entrei em uma banda da minha cidade, em Uberlândia que era de black music, rock e reggae e me tornei residente do London Pub, templo do rock, por cerca de uma década. Comecei a frequentar festivais de música eletrônica bem nova. Entrei no mercado eletrônico primeiro somente criando e lançando músicas e continuei vivendo do meu acústico, cerimônias de casamento e banda .
Meu primeiro lançamento foi com Alok, que me apresentou o Dazzo, pela Universal Music em 2015. A track “Sick Sick” que eu a tinha guardada há uns anos, mostrei para o Gabe que já era meu amigo de longa data e já criávamos juntos, ele se apaixonou e a música foi super bem.
Veio o convite da primeira gig por conta dos meus lançamentos, eu disse “não sou dj”, me pediram para aprender, montar um set e ir tocar – mas na minha cabeça não havia como deixar de ser cantora. Aprendi o básico, treinei sozinha, toquei, amei, entrei em uma agência e me tornei a Barja.
HM – Quais elementos busca introduzir nas suas produções?
KORVO: Piano, arpejos e bastante groove.
BARJA: Eu sou de fases, mas eu sempre prefiro músicas mais melódicas. Adoro elementos orgânicos, instrumentos na música e o peso da batida da música.
HM – Se fosse para listar, quais seriam os três maiores highlights da sua carreira?
KORVO:
1 – Warm up para o Kyle Watson em 2017 no Sunset Privilège Festival – Fishbone Búzios;
2 – Laroc 2019 – Aniversário do Illusionize;
3 – Green Valley Verão 2020 – junto de Mat.Joe, Victor Lou e Chemical Surf.
BARJA: Eu posso falar mais de três? [rs]
1 – Universo Paralello 2017 – divisor de águas na minha carreira;
2 – Mandalah 2018 – chorei no palco com a “Peace”;
3 – Tour brasileira New Order – sou muito fã;
4 – Rock in Rio 2019 – também como apresentadora do Multishow / Canal Bis;
5 – Festival Ame Laroc 2020 – chorei no palco com a “All Night”, que foi a música que mais bombou e eu não esperava.
HM – Qual a importância que você considera ter a “All Night” nesse momento da sua carreira?
KORVO: A “All Night” consolida o trabalho que venho desenvolvendo nos últimos anos, fortalecendo o mercado autoral brasileiro com originalidade, qualidade técnica e artística.
BARJA: A “All Night” me representa. Sinto ser a junção da maturidade sonora buscada ao longo da minha carreira com melodia envolvente e a força na pista que veio da percepção adquirida na própria: é a melhor fonte para te guiar. Trabalhar com o Korvo é empolgante, autenticidade e originalidade é difícil de se encontrar hoje em dia, e me orgulho muito desse nosso trabalho. Eu sempre me emociono ao tocar a “All Night” e também não canso de ouvir.
HM – A “All Night” recebe um clipe nesta sexta, 28. Qual spoiler você pode dar sobre?
KORVO: Hot! Hot! Hot!
BARJA: Tá maravilhoso, fotografia foda e a atmosfera que dá vida total à música. Eu sou apaixonada no audiovisual que dá cor para a música, e não havia maneira melhor de representar a música que essa. O clipe é um feat de dois artistas maravilhosos que trabalham comigo e sou apaixonada no trabalho de ambos: Naum e Júnior Sousa.
A pandemia começou e eu havia feito pouquíssimos takes com o Júnior, então o Naum teve o maior carinho, comprou a ideia do projeto e gravou os takes do Korvo, que moram na mesma cidade, e fez um trabalho de extremo bom gosto e qualidade literalmente se virando nos 30.
HM – Como tem sido seu processo criativo com a pandemia? Quais desafios vem enfrentando?
KORVO: De um lado está sendo muito positivo, com o excesso de tempo para me dedicar às produções, acabei criando várias tracks, mas o confinamento no estúdio me leva a alguns momentos de bloqueio e aí eu procuro visitar lugares energéticos em Búzios para me inspirar.
BARJA: No início estava com todo gás, comecei uma maratona no estúdio muito bacana. O tempo foi passando na quarentena, veio a ansiedade, estar fora da estrada e comecei uma auto cobrança que me deu uma travada. Foi quando entrei em uma fase nômade e aproveitei ela para tirar umas férias mental e física real – coisa que nunca fiz. Agora que me estabilizei em um lugar que me renovou completamente, já estou sentindo a vontade de voltar a me trancar no estúdio com leveza, sem bitolar e deixar fluir.
HM – Você tem novas collabs para lançar ainda este ano? O que pode adiantar sobre os próximos lançamentos?
KORVO: Com DJ Glen, pela Tropical Beats; com Koalla, pela Só Track Boa e UP Club Records; com Rocksted, pela Klandestine; com Dashdot, em gravadora a ser escolhida.
BARJA: Tenho algumas collabs ainda não terminadas com Tim Baresko, Gabriel Boni, Dj Glen, G.Felix, entre outros.
Também tenho dois lançamentos solo para sair neste ano: “Let It Flow”, minha música feita na Tailândia para a gravadora de lá, chamada 77k Music.; e “Bless”, meu primeiro lançamento mais orgânico e bem low, de uma série de produções que possuo guardadas e quero começar a lançar, mesmo não sendo direcionada para a pista.
HM – Você iniciou sua carreira como cantora. Como enxerga a importância do conhecimento amplo para um trabalho musical de qualidade?
BARJA: A proporção que a profissão de DJ e produtora tomou tem os seus dois lados. Por um lado, existem os que não possuem ainda ou não buscam uma musicalidade, mas, visam a imagem errônea de que a fama, vida e dinheiro do DJ e produtor seja algo fácil e por buscarem a maneira mais rápida, visam somente a parte de marketing e softwares de produção como algo suficiente para entrar no mercado e crescer profissionalmente. Por outro lado, se você não tiver uma originalidade, musicalidade e um diferencial, se torna mais difícil de se destacar em um mercado com tanta gente.
Eu acredito que toda experiência musical, saber tocar um instrumento ou mesmo o seu envolvimento e paixão com a música que te faz buscar por mais, façam toda a diferença na execução e criação musical.
HM – Você foi a apresentadora do palco New Dance Order do RiR 2019. Conte um pouco pra gente como foi essa experiência e qual a importância você acredita que isso teve na sua carreira?
BARJA: Na minha visão foi mais do que um marco na minha carreira, foi também na música eletrônica, pois tivemos um palco com uma estrutura surreal e uma transmissão na íntegra só para a música eletrônica. Foi algo revolucionário para a nossa cena, e ouvi isso de muitos artistas que fizeram parte do palco New Dance Order. Realmente me senti honrada e ultra lisonjeada de ter feito parte disso. Até hoje tenho dificuldade de assimilar, na época a ficha não caía, foi corrido, puxado e surreal de incrível. Principalmente, para administrar o show e também me apresentar ao vivo, mas tive a sorte de ter uma diretora com uma equipe maravilhosa que me deixou mais leve e tranquila.
HM – Que mensagem buscam passar para o seu público através das suas músicas?
KORVO: Positividade e boas energias, além de uma certa reflexão sobre passagens da vida.
BARJA: Quase todas as minhas letras são sobre a minha vida ou algo que estou sentindo, procuro passar verdade e originalidade em todas as minhas criações.
HM – Contem algo inusitado sobre vocês.
KORVO: Trabalhei de segurança no Privilège Búzios para me aproximar do club.
BARJA: Ixi, não sei, acho só que não sou muito normal, mas eu adoro não ser.
