Por Nazen Carneiro, da coluna Tudobeats (www.fb.com/tudobeats)
Paranormal Attack: Uma banda; um DJ; um produtor; uma referência. Rui Oliveira, também conhecido como o `Xangaii`, é o capitão desta nave que partiu de Portugal, sua terra natal, pela primeira vez aos 21 anos. Sucesso em diversos países, Paranormal Attack comemora, em 2017, quinze anos de carreira. Desde o seu primeiro hit internacional muita coisa mudou e para conhecermos mais da trajetória deste artista tão querido no Brasil, o convidamos para um bate papo e também para o nosso podcast.
HOUSE MAG: Obrigado por arranjar um tempo para compartilhar com os fãs e leitores não só esta entrevista, mas também o podcast exclusivo. Antes de ser envolver-se com a música eletrônica, você já tocava diversos instrumentos. Depois foi ser DJ, produtor musical e ter banda. Como iniciou esse envolvimento com a música em geral?
PARANORMAL ATTACK: Iniciei na música com oito anos de idade, em aulas de piano. Com 14 ganhei um violão de presente de Natal e aí começou também a minha paixão pela guitarra. Com 15 entrei numa banda onde fiquei até aos 21, quando o Paranormal Attack começou a ter datas fora de Portugal.
HM: Você que estudou piano, entre outros instrumentos, por que resolveu partir para produção da eletrônica?
PA: Olha, é curioso pois nessa época eu odiava música eletrônica (risos) e nunca pensaria que um dia viria a ser produtor. Mas foi no dia que fui a uma rave que me despertou a curiosidade naquele som…
HM: Como você vê essa sinergia e as inúmeras possibilidades da interação dos instrumentos musicais com a produção da eletrônica?
PA: Os meus conhecimentos musicais ajudaram-me muito na produção no início. Adoro misturar estilos, acho que no psy trance poucos misturam tantos estilos como eu (não querendo parecer presunçoso, é claro), mas acho que é realmente o que acontece.
HM: Quando começou a produzir, teve aulas, buscou amigos, foi procurando meio autodidata, como foi esse processo para você?
PA: Foi tudo com amigos e sozinho, trocando ideias com outros produtores. Não concordo muito com as políticas dos cursos de produção. Mas continuo estudando todos os dias, novos recursos, novas técnicas que foram trazidas pelas novas gerações de artistas.
HM: “Distorções de guitarra, viajando do metal ao trance”. Esta é a essência do Paranormal Attack?
PA: Acho que hoje somos mais rock do que metal, mas temos ainda muita coisa do estilo. Penso que a essência do Paranormal Attack é mais a fusão de estilos com o psy trance. Temos coisas com reggae, rock, trap, dubstep, pop, rap, etc.
HM: Quando você veio de Portugal para o Brasil pela primeira vez, já percebeu que iria criar essa relação tão especial com o país?
PA: Com certeza, o fato de falarmos a mesma língua cria logo um vínculo muito maior. Na segunda tour viemos para tocar 20 dias e acabamos ficando três meses aqui (risos).
HM: Este ano você completa 15 anos de Paranormal Attack. De lá para cá houveram diversas mudanças tanto na cena psy trance quanto no próprio projeto, entre elas a redução no número de integrantes no projeto.
PA: Então, na verdade não foi bem uma redução do número de elementos. Houve sim, com as mudanças na cena, uma necessidade de ter um formato DJ também. Os elementos da banda continuam sendo os mesmos quando tocamos no formato banda, eu, o Gonçalo Miranda nos sampler e programação e o Lucas Marques na bateria.
HM: O seu primeiro grande sucesso internacional foi o remix de “Seek and Destroy”, do Metallica. Existe ligação do Paranormal Attack de hoje com o daquele remix?
PA: Ainda temos alguma coisa, mas bem menos. Devido a essa formatação DJ do projeto, o som acabou sofrendo mudanças e também sou um artista que gosto de viajar com o tempo, de fazer coisas novas com influências de estilos que foram aparecendo. Também me agrada variar nos BPMs.
HM: Em 2007 você emplacou outro sucesso mundial “Be With You”. Essa música teve um impacto especial na sua carreira. Ela é o que se chama de um grande hit.
PA: Sem dúvida afetou e muito, não só essa música, mas como todo o álbum “Phenomenon”. Estivemos um mês em primeiro lugar do site de vendas de psy trance da época (Psyshop.com). A “Be With You” tem hoje mais de 12 milhões de visualizações no Youtube e isso é inacreditável. Sempre que toco essa música a pista vai a loucura mesmo depois de passados dez anos.
HM: A tua carreira tem tantos fatos interessantes, um deles é uma produção em conjunto com o finado Chorão, do Charlie Brown Jr. Conte mais sobre esse episódio.
PA: Essa foi, sem dúvida alguma, a melhor experiência que tive na minha carreira. Quando o Chorão me convidou eu fiquei maravilhado. Isso aconteceu numa apresentação em Goiânia, onde o Charlie Brown também tocou. Eu lembro de quando estava tocando com ele olhando pra mim e fazendo o famoso “Devil Horns Sign”. Pensei: “Caralho (risos). O cara curte o som!” Durante o show ele falou com nosso manager para combinar um encontro no estúdio em São Paulo. Fizemos umas três sessões até altas horas da madrugada com o Chorão e o Thiago Castanho (guitarra). Depois me apresentei com eles em várias cidades do Brasil, e foi demais! Jamais esquecerei esses momentos. Só tenho a agradecer aquele que foi um cara muito especial para mim. Valeu Chorão!
HM: Nestas idas e vindas entre Brasil, Portugal e tantos outros países você adiciona algo destes locais a sua música?
PA: Sim, com certeza, o Brasil tem uma grande influência na minha música.
HM: Nestes quinze anos de Paranormal Attack, quais principais mudanças você destaca no mundo do psy trance?
PA: A cena mudou muito, algumas coisas para melhor, outras para pior. No geral vejo a evolução do psy trance de uma forma extremamente positiva. As produções dos eventos melhoraram bastante, os palcos, o som, as luzes. Talvez haja quem gostasse mais da cena “roots”, mas eu prefiro evolução e tecnologia sendo usada em produções de eventos.
HM: Para você o mercado do psy trance vive uma retomada?
PA: Sem dúvida estamos numa fase muito boa. Vários sucessos têm ajudado muito a cena e levado o nosso estilo de som para outros mundos onde sempre fomos vistos como os loucos, o som dos drogados, etc… Hoje não é mais assim, o psy trance está inserido na cena eletrônica mundial como qualquer outro estilo de música eletrônica e isso tem sido muito bom para todos, eu acredito.
HM: Como as agências impactam positivamente na carreira do artista na sua visão?
PA: É ótimo ter uma equipe trabalhando junto com você em todos os sentidos, e o fato de estar num casting como o da Infinite Music, com outros grandes artistas, te dá mais credibilidade aos olhos do público e dos contratantes.
HM: Quais os próximos passos na carreira do Xangaii?
PA: Temos um grande show marcado para dia 15 de dezembro, Nos Trilhos, em São Paulo. Vamos juntar a banda de novo e convidar alguns artistas nossos amigos para fazerem participações. Terá duração de cerca de duas horas em que vamos tocar músicas de todos estes 15 anos. Será filmado e gravado (áudio) na íntegra para um futuro lançamento nas redes sociais. Iremos lançar também um álbum, com 15 músicas dividido em três partes.
