Por Isabela Junqueira
Foto de abertura: divulgação
O baiano de 28 anos Yan Brauer é a mente pensante e criativa por trás do projeto Wolf Player. Há mais 10 anos produzindo música eletrônica, entregou hits como “About U”, “Essa Mina É Zika”, “Supa Drop” e a mais recente, “Keep Control”, um remix pra lá de especial lançado pela Kontor Records em uma coletânea de comemoração ao single com quase duas décadas.
Transitando entre o house, progressive house e tech house, Yan é conectado com a música desde seus 12 anos, mas, também, possui uma carga profissional pesada: já tocou em um banda de hardcore, é graduado em música e, há quatro anos, é residente do The Garden, um dos maiores clubs de Joinville, em Santa Catarina.
Conversamos com Wolf Player sobre diversas questões acerca da sua carreira, que rendeu uma entrevista para lá de profunda (e sincera)!
HM – Vamos começar falando um pouquinho sobre o que forma seu caráter musical. Quais são suas referências musicais e o que você curte ouvir, eletrônica ou não?
Comecei a me identificar e conhecer a música eletrônica a partir do trance e depois me conectei bastante com o house! Hoje em dia, eu curto muito ouvir Rüfüs du Sol, Meduza, Vintage Culture, Flume, Hot Natured. E as minhas maiores referências e inspirações são Depeche Mode, Daft Punk, Muse, m83, New Order, Joy Division.
HM – É verdade que você já teve banda de hardcore? Conta isso pra gente!
Sim! Foi meu primeiro contato com a música, quando tinha 12 anos, como um músico, no caso, o vocalista. No meu colégio, lá em Salvador, havia um festival de música chamado “Canta Vila”, e a partir daí, nós, em cinco amigos, tivemos a ideia de criar a banda!
HM – Fala um pouquinho sobre a origem do seu amor pela música eletrônica e como você se rendeu de vez a ele.
Minha história de amor com a música começou desde pequeno, com a minha mãe que é cantora no meu estado natal, a Bahia. Aos 12 anos, me conectei de forma mais direta com a música quando criei uma banda de rock. Entretanto, foi aos 14 anos, quando fui a um evento de trance, que comecei a desenvolver mais proximidade com a música eletrônica.

Foto: divulgação
Quando tinha 16 anos, fui para os Estados Unidos fazer intercâmbio e lá me apaixonei pela house music, o que fortaleceu ainda mais o meu vínculo com a música eletrônica. Decorridos três anos desde o meu intercâmbio, aos 19, vim para São Paulo para começar a minha vida profissional com o projeto Yan Brauer, na época.
Quando cheguei em São Paulo, não tinha fonte de renda e, portanto, comecei a trabalhar como garçom em um club. Ao longo do meu período de trabalho lá, há 10 anos, foram geradas oportunidades para que eu pudesse começar a me apresentar como DJ ali. A partir de então, comecei a fazer apresentações em pequenos locais. No decorrer do tempo, juntamente com o concretização do projeto Wolf Player, DJ e produtor, em 2015, foram sendo estabelecidas parcerias com festivais e outros eventos, os quais impulsionaram a minha chegada em palcos maiores.
HM – Como está sendo 2020 para você, este ano totalmente diferente?
Olha, o ano começou começou de forma maravilhosa! Mas, já em março, chegou a notícia do Covid-19 e, simplesmente quebrou tudo, o que afetou bastante o setor de entretenimento. Porém, logo a frente, chegou a notícia da collab com Vintage Culture e simplesmente tá sendo um dos meus melhores anos da vida! Foi um sonho realizado.
HM – Wolf Player tem uma identidade musical muito bem construída ao longo desses anos de projeto. Por mais que tenham acontecido mudanças, foram no sentido de lapidar o projeto. Ao que você creditaria isso?
Exatamente. Não cheguei a mudar muito o estilo desde o início do Wolf Player. Gosto muito de manter a minha identidade nas produções e nas apresentações, mas, acredito que estamos sempre em evolução! Então, sim, houve algumas alterações em termos de lapidação do projeto, em decorrência dos momentos vividos pela cena, em geral, e também para acompanhar as tendências e referências que nos impactam.
HM – Você vem de uma sequência de lançamentos pra lá de especiais: o remix de “Keep Control”, pela Kontor Records e, agora, “Things”, ao lado do Vintage e JETS. O que essa sequência significa pra você?
Uma realização enorme com sentimento de trabalho concluído com sucesso! Essas duas faixas foram produções mais recentes e que refletem muito o meu momento atual da carreira como produtor. Fico muito feliz em sentir e poder dizer que a hora chega para todos que acreditam no seu trabalho!
HM – Como você explicaria a ressignificação artística que você passou e refletiu no Wolf Player?
Foi algo que veio da noite para o dia, espontaneamente, mas levou mais de 10 anos para chegar. E, quando chegou, eu simplesmente tive a certeza de que era isso que faltava! Sinto realmente que passei por uma fase de ressignificação do Wolf Player, me encontrei nas minhas produções e a mim mesmo como artista!
HM – Qual é o legado que o Wolf Player pretende deixar para música eletrônica brasileira?
Quero deixar minha causa registrada na cena para sempre. Alguém que chegou trazendo sua personalidade musical e, também, causando emoções e sensações positivas na vida das pessoas que precisam!
HM – O que o Yan de 2010 diria para o Wolf Player de 2020? E vice-versa?
Yan de 2010 diria, meu Deus esse cara é incrível! Wolf Player de 2020 diria, tenha paciência!
HM – E, para finalizar, tente resumir em poucas palavras o que podemos esperar do Wolf Player daqui em diante.
Daqui para frente, a minha missão é entregar cada vez mais músicas da minha personalidade e que se conectem com o público, que eles se sintam bem como eu me senti quando me encontrei artisticamente, e poder concretizar as causas nas quais acredito.
