Anualmente, há a expectativa para saber quem serão os residentes dos clubes na Europa, especialmente em Ibiza, onde essa cultura de um artista comandar semanalmente um dia da semana é muito forte. Entretanto, a representatividade de mulheres com várias datas para chamar de suas e comandar temporadas nos principais clubes ainda é irrisória quando comparada ao contexto geral.
As residências são uma tradição na Ilha, seja de DJs ou de labels, em que comandam um período do verão nas casas. O anfitrião das datas faz a curadoria do line up e os clubes ficam com sua identidade nas aberturas.
Pesquisando nos perfis oficiais e sites dos clubes, percebe-se que pouquíssimas mulheres estão sendo convidadas a serem residentes ou até mesmo noites de maior destaque.
Entre UNVRS, Hï e Ushuaïa, todos do mesmo grupo e que figuram entre 3 dos 4 primeiros lugares no ranking da DJ Mag de 2025, apenas o Hï Ibiza tem residentes mulheres – Indira Paganotto, Miss Monique e o duo Mëstiza. São 3 mulheres em 39 residências destes clubes, apenas 8% do total.
Além desses três, o Pacha abre suas portas para Blond:ish e o Cova Santa Ibiza para a lenda Sam Divine, que terá sua primeira residência em Ibiza da carreira.
Cinco residências fixas. Um número pouco representativo para o número de mulheres fazendo grandes trabalhos por todo o mundo.
Um padrão que se percebe nas pesquisas das datas dos clubes são as noites únicas com headliners como Charlotte de Witte (UNVRS, 29/05) e Peggy Gou (UNVRS, 12/06). Ambas são as DJs mais populares do mundo, conforme o Top 100 da DJ Mag 2025, à frente de muitos homens que ano após ano tem sua vaga cativa em residências. Portanto, o argumento de artistas que vendem ingressos não cola nesses casos.
Além das duas há várias outras DJs que tem lotado clubes e festivais durante todo o ano com um trabalho sólido, com identidade e longevo como Sara Landry, Nina Kraviz, Honey Dijon, Amelie Lens, entre muitas outras, que, aparentemente, precisam se provar muito mais para conquistar um espaço de destaque na dita meca da música eletrônica.
Todas as artistas citadas têm lançamentos de peso, apresentações que chancelam sua importância na cena global, base engajada, números expressivos de visualizações e compras nas plataformas digitais. Entretanto, não parece ser o suficiente para quem escolhe quem toca semanalmente no seu clube durante a época mais importante do ano no hemisfério norte.
Por Adriano Canestri
